Suscetibilidade ao câncer relacionada à idade

Dr. Marcelo Luiz Bendhack , Urologista

Publicado em 07/02/2021 - Atualizado em 02/07/2022



Comemorado em 4 de fevereiro, o Dia Mundial de Combate ao Câncer é uma iniciativa da União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A data visa alertar para a incidência e a mortalidade por câncer, um problema de saúde pública mundial. E ainda conscientizar sobre a importância dos cuidados preventivos, hábitos saudáveis e prevenção.

Tudo o que se refere ao câncer tem relevância mundial. Mas dois aspectos são de extrema importância: qualidade de vida, como menos estresse, boa alimentação, por exemplo, e a realização de exames preventivos, porque sabemos que quanto antes descoberto é possível definir o melhor tratamento e ter mais sucesso e até cura da doença. Neste contexto, também vale a pena observar também os novos tratamentos e a evolução da medicina em si.

Recentemente, um grupo de médicos e cientistas publicou no periódico Scientific Reports, base de artigos científicos da revista “Nature”, uma nova pesquisa¹ sobre o biomarcador LINE-1, para demonstrar a erosão epigenética durante o processo de envelhecimento. A metilação desses genes tem sido associada a diversas síndromes de hipo e hipercrescimento, alterações neurológicas e tumorais.

O artigo publicado (17/12/2020) no Scientific Reports apresenta dados da melhoria metodológica que resolve um problema fundamental da análise amplamente difundida em todo o mundo usando biópsia minimamente invasiva de fluidos corporais (biópsia líquida). Esta análise mais precisa irá facilitar e melhorar o emprego do único marcador patenteado no mundo para identificar o câncer de próstata com base em Epigenética.

Segundo o cientista principal, Simeon Santourlidis, da Universidade Heinrich Heine, de Düsseldorf, Alemanha, a biópsia líquida é de importância central para o diagnóstico, prognóstico e terapia de várias entidades tumorais, a fim de alcançar uma redução significativa na morbidade e mortalidade nos pacientes afetados. A análise da biópsia líquida pode ser utilizada ainda nas áreas de medicina regenerativa e pesquisa de idade.

Pela primeira vez, foi possível avaliar a fração de DNA livre de células completamente separada de todas as outras frações de DNA do sangue periférico. Assim, a metodologia viabiliza a análise da característica tumoral e de envelhecimento, como assinaturas epigenéticas.

Esta melhoria técnica da análise da biópsia líquida já existia, mas com o auxílio de tecnologias exclusivas poderá ser aplicada no mundo todo e servir para inúmeros ensaios clínicos, inclusive para novas aplicações com biópsia líquida em pacientes em tratamento de câncer de mama, de próstata, entre outros.

Para chegar aos resultados os pesquisadores aplicaram partes maiores do DNA humano (retrotransposons LINE-1) para demonstrar a erosão (degeneração) epigenética durante o processo de envelhecimento.

Esta detecção aprimorada da epigenética do LINE-1 pode ser usada como um biomarcador de várias maneiras, por exemplo, para monitorar o processo de envelhecimento, os hábitos e a qualidade de vida de todas as pessoas, bem como monitorar o aumento da suscetibilidade ao câncer relacionado à idade.

Ainda serão necessárias pesquisas complementares para identificar outros fatores adicionais, a partir de DNA livre e que circula no sangue, para auxiliar no diagnóstico e tomada de decisões para o tratamento do câncer de próstata e de bexiga. Agora, a partir deste progresso científico do método, outras doenças malignas também poderão ser tecnicamente melhor avaliadas pela biópsia líquida.

O objetivo é adiantar e avaliar com precisão tanto o diagnóstico quando o prognóstico do paciente, através da coleta de sangue. Este método analisa e extrai melhor o DNA livre circulante, com mais pureza. Naturalmente, mais estudos serão necessários, mas serão estudos com qualidade mais elevada, próprio de evolução do estudo inicial.

Epigenética

A epigenética é definida como o estudo das modificações do DNA e histonas (tipo de proteína encontrada nos cromossomos), que são herdáveis e não alteram a sequência de bases do DNA. As modificações que as histonas podem sofrer estão associadas à metilação, fosforilação e acetilação. Na molécula de DNA, o grau de metilação influencia e ativa (ou não) a transcrição gênica, que pode ser ativada ou produzir uma proteína correspondente, de genes promotores (oncogenes) ou supressores de tumores. 

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