Novembro Azul - Câncer de próstata

Dr. Denis L. Fontes Jardim, Oncologia (clínico)

Publicado em 02/11/2020 - Atualizado em 28/11/2021



Novembro Azul

O câncer de próstata ocorre quando uma célula da próstata começa a crescer de forma descontrolada, originando um tumor. Os principais fatores que aumentam o risco desse câncer são a idade avançada, a raça negra e o histórico familiar de câncer. Existem fatores de risco também relacionados a alguns hábitos de vida como o tabagismo, o consumo intenso de gordura animal e a baixa ingesta de vegetais. Dados de 2020 do Instituto do Câncer mostram que o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma.

Em muitos casos o câncer de próstata não produz sintomas, sendo descoberto através de exames de rastreamento.  No entanto, sintomas que podem estar presentes incluem o aumento na frequência da micção, fluxo urinário fraco ou interrompido, necessidade de um maior esforço para esvaziar a bexiga, a presença de sangue no sêmen ou urina e a dor ou ardor ao urinar. Vale notar que na maioria das vezes esses sintomas estão relacionados a condições benignas, por isso a investigação é fundamental. Nos casos de uma doença mais avançada ao diagnóstico, sintomas como dores no corpo, perda de peso e cansaço podem estar presentes. 

A suspeita inicial de um câncer de próstata pode vir da elevação do PSA em um teste sanguíneo ou de uma alteração do exame de toque retal. O PSA também pode estar elevado em algumas outras condições benignas da próstata. Dessa forma, o diagnóstico de confirmação do câncer de próstata requer uma biopsia. A forma mais frequentemente utilizada para a biopsia da próstata é através do auxílio do Ultrassom. A biópsia, além de confirmar o diagnóstico, também fornece importantes informações para o tratamento, como o grau do tumor.  A ressonância multi-paramétrica da próstata é um exame que permite uma visualização muito precisa da glândula prostática e do tumor, sendo bastante útil em diversas ocasiões. Alguns outros exames podem ser necessários para avaliar a extensão ou suspeita de tumor de próstata, como a tomografia e a cintilografia óssea.  Outro exame que tem sido cada vez mais utilizado é o PET-CT com PSMA. Este exame é muito preciso na localização dos possíveis focos de câncer de próstata, mas sua indicação se aplica a alguns casos específicos.

Para definição de tratamento é importante mencionar que o câncer de próstata pode ter comportamentos variáveis em cada paciente. Dessa forma, dependendo da extensão e grau da doença, o tratamento pode compreender desde apenas o acompanhamento do paciente (também conhecido como vigilância ativa) até a combinação de cirurgia, radioterapia e tratamentos hormonais.  No caso do câncer de próstata estar restrito à próstata, as opções de tratamento são a cirurgia (a prostatectomia radical) e a radioterapia, com ou sem tratamento anti-hormonal associado.  A cirurgia da próstata pode ser feita por via aberta, laparoscópica ou robótica. Já a radioterapia pode ser realizada por meio de braquiterapia ou por aceleradores lineares, chamada radioterapia externa. Como possíveis efeitos adversos desses tratamentos estão um prejuízo na função sexual e na continência urinária. Felizmente, com a melhora das técnicas de tratamento esses efeitos estão menos frequentes. Nos casos em que houve retorno do câncer ou quando ele já tem metástases, a principal terapêutica objetiva reduzir os níveis de testosterona, que segue sendo a terapia mais eficaz. No entanto, diversas novidades no tratamento sistêmico do câncer de próstata tem surgido.  Isso inclui novos agentes anti-hormonais por via oral, uso de drogas de alvo molecular e imunoterapia para alguns casos. Esses avanços tem possibilitado aos pacientes um tempo de vida cada vez maior e com qualidade, mesmo com a doença avançada.

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