Cuidados bucais aos Cardiopatas

Dr. Laércio Vasconcelos, Odontologia

Publicado em 12/07/2017 - Atualizado em 02/07/2022



A saúde começa literalmente pela boca. O homem utiliza sua cavidade bucal para falar, mastigar e deglutir, o que garante seu bem estar e sua sobrevivência em pessoas saudáveis. Entretanto, a cavidade bucal é também um ambiente ácido e potencialmente corrosivo, capaz de conter mais de 200 espécies de bactérias, nocivas ou não. Os restos de nossas refeições são usados como alimento por estas bactérias, que se multiplicam continuamente. Este cenário só pode ser quebrado pela manutenção de uma eficiente higiene oral.

Em casos de má higienização, podemos nos deparar com cáries e doenças periodontais. A cárie destrói a estrutura dental e a doença periodontal, por sua vez, destrói os tecidos de suporte dos dentes, podendo levar à sua perda.

Nos últimos anos, a associação entre as doenças bucais e as condições sistêmicas de saúde recebeu maior atenção. Sabe-se que bactérias encontradas na boca, principalmente aquelas envolvidas na doença periodontal, podem cair na corrente sanguínea e provocar processos patológicos graves.

Estudos científicos ligaram estas bactérias à formação de placas de ateroma, relacionadas à ocorrência do acidente vascular cerebral isquêmico e ao infarto do miocárdio. A American Heart Association indica que pacientes cardiopatas com alto risco de doença aterosclerótica devem se submeter a um exame periodontal completo.

O tratamento de pacientes com doença periodontal e doença aterosclerótica pré-existente não-fatal e aterosclerose em geral deve envolver um trabalho multiprofissional, de modo a prover os cuidados adequados que considerem todas as especificidades do paciente, desde sua condição bucal até a medicação utilizada. Além disso, os pacientes devem ser conscientizados da relação entre saúde bucal e saúde geral, com constante motivação por parte dos profissionais das áreas médicas e odontológicas.

Outra preocupação importante é a endocardite bacteriana, que pode ser causada por bactérias da cavidade oral que entram na circulação sanguínea após procedimentos odontológicos invasivos. Pacientes com histórico de cirurgias cardíacas e válvulas protéticas devem ser avaliados cuidadosamente para eliminar quaisquer focos de infecção no ambiente oral, bem como administrar antibióticoterapia profilática quando necessário.Tendo estes fatos em mente, vemos que é fundamental estabelecer um protocolo de diagnóstico, intervenção e eliminação dos riscos para pacientes nos ambientes hospitalares e sua continuidade fora deles, com atenção especial àqueles pacientes que se submeterão a intervenções cardiológicas.

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