Morte Súbita no Esporte

Nabil Ghorayeb, Cardiologia

Publicado em 04/08/2022 - Atualizado em 19/08/2022



Nos últimos anos, diversos episódios de morte súbita em atletas vêm chamando a atenção da imprensa, da comunidade em geral e dos profissionais médicos para um problema até então pouco valorizado.

Um episódio de morte súbita em atletas traz grandes repercussões, pois ocorre em um indivíduo jovem e considerado pelo senso comum como uma pessoa saudável.

Porém, desde os anos 80, quando a Cardiologia do Esporte chegou ao Brasil, esse assunto é discutido intensamente. Em 2019 foi publicado o editorial “Morte Súbita Não é Fatalidade, é um Paradoxo” na Revista da Sociedade Brasileira de Cardiologia onde afirmamos que quase sempre é possível detectar uma causa evitável, visto que 90 a 95% dos atletas vítimas de mortes súbitas tinham uma cardiopatia de base.

Mas é possível prevenir este trágico evento?

Sim, pesquisas recentes mostraram que a avaliação pré-participação, ou seja, a avaliação médica realizada antes do início da atividade física associada aos exames cardiológicos, principalmente o eletrocardiograma, são fundamentais na detecção das doenças cardíacas que podem levar à morte súbita. Esta avaliação, feita de forma criteriosa e por profissionais habilitados, é capaz de detectar a maioria das doenças que podem trazer complicações durante a atividade física e assim proporcionar que a o exercício seja feito com maior segurança. Se for detectada alguma anormalidade, poderá haver a necessidade de algum tratamento específico ou, em casos raros e extremos, até afastamento definitivo das competições.

Dito isso, lembramos que eventos graves podem ocorrer na prática esportiva dependendo da existência de alguma doença não detectada ou mesmo não valorizada, e dos fatores ambientais como frio ou calor extremo.

Importante ressaltar, e contrariando algumas matérias recentes da mídia, as causas de mortes no esporte variam de continente a continente. Nos EUA a mais comum é a Cardiomiopatia Hipertrófica enquanto na Europa é a Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito. No Brasil não existem dados estatísticos oficiais, porém com base em mais de 40 anos de experiência, acreditamos que as infecções que atingem o coração, são as causas mais frequentes em nosso país. Um dado importante que deve ser sempre valorizado é a idade do atleta, e a presença de fatores de risco para doenças crônicas como a aterosclerose que causa o derrame e o infarto do miocárdio.

Até os 35 a 40 anos as causas são relacionadas às doenças genéticas do coração, enquanto acima dessa idade o infarto do miocárdio é a principal causa (ao redor de 90%) em todo mundo.

Assim, recomendo que faça uma competente avaliação pré-participação esportiva e tenha orientação médica sobre os cuidados que deve tomar. Essa é uma importante orientação para aumentar a segurança do atleta e diminuir o risco de morte súbita no esporte.

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