Câncer de Colo de Útero

Dr. Fernando Maluf, Oncologia (clínico)

Publicado em 30/01/2022 - Atualizado em 26/05/2022



O câncer de colo de útero é uma doença silenciosa, que preocupa por sua incidência e mortalidade, apesar de existirem formas de prevenção (vacinação contra HPV) e rastreamento (Papanicolau) para diagnosticar precocemente, aumentando as chances de cura. Se não vivemos um cenário mais benéfico para as mulheres isso se deve, em parte, à falta de informações.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) não dispõe dos números de casos de câncer diagnosticados, mas apresenta as estimativas de novos casos dos tipos mais incidentes na população brasileira. Para 2022, são previstos 16.590 novos casos de câncer de colo de útero, um risco de 15,43 casos a cada 100 mil mulheres. É o segundo mais incidente nas regiões Norte (21,20/100 mil) e Nordeste (17,62/100 mil) - sem considerar os tumores de pele não melanoma. Fica em quarta posição na Região Sul (17,48/100 mil) e em quinto na Região Sudeste (12,01/100 mil). Em 2019 ocorreram no país 6.596 mortes por câncer do colo do útero, segundo o Atlas da Mortalidade, do INCA.

A prevenção é uma esperança para as gerações futuras, com a vacinação contra o HPV, já que a maioria dos casos está relacionada a uma infecção causada por esse vírus.

Existem pelo mundo alguns exemplos que demonstram um cenário melhor para esse tipo de tumor com a vacina, como a Austrália, que começou em 2007 a imunização que levou o país a ter uma das menores taxas de incidência de câncer de colo de útero, com uma redução dos tumores relacionados ao HPV que ultrapassa 70%. A expectativa é que o país erradique o tumor em uma ou duas décadas. Apesar das vantagens comprovadas e da disponibilidade de vacinas, o Brasil ainda busca avançar nas metas de vacinação contra o HPV.  

O exame mais usado no rastreamento para o câncer de colo de útero é o Papanicolau, também conhecido como citopatológico. De acordo com o INCA, o exame citopatológico é o método de rastreamento do câncer do colo do útero, indicado para a população alvo de 25 a 64 anos, a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos normais (recomendações que visam garantir o balanço favorável entre riscos e benefícios do rastreamento). As orientações de periodicidade podem sofrer variações de acordo com indicações médicas aplicadas a cada caso.

Apesar da disponibilidade deste exame tanto na saúde privada quanto no Sistema Único de Saúde (SUS), muitas mulheres deixam de realizar a avaliação periódica que pode diagnosticar precocemente o tumor. Essa situação se agravou ainda mais durante a pandemia, com queda na realização de exames no ano de 2020, conforme demonstra tabela do Ministério da Saúde, com dados de 2015 a 2020. De 6 milhões e 800 mil exames realizados em 2019, passou para menos de 4 milhões em 2020.

Precisamos ter consciência e informar que o câncer de colo de útero é prevenível e tem melhor prognóstico quando descoberto precocemente. Independentemente de pandemia ou a situação que estiverem vivendo, as mulheres não podem atrasar seus exames de controle. É importante manter a frequência da consulta com ginecologista e vacinar seus filhos na infância, atitude fundamental para que não tenham risco aumentado de câncer induzido pelo HPV.

Fernando Maluf - Fundador do Instituto Vencer o Câncer. Diretor Associado do Centro Oncológico da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo; membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein; Professor livre docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo; Membro da Sociedade Americana de Oncologia (ASCO).

 

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