Hiperplasia Benigna da Próstata e Câncer de Próstata

Prof.Dr. Marcelo Luiz Bendhack, Urologia

Publicado em 01/11/2021 - Atualizado em 18/10/2021



Não se pode confundir as coisas e é preciso critérios e cuidados especiais ao explicar para os homens as diferenças entre Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) e Câncer de Próstata.

É comum pacientes questionarem e ficarem aflitos quando os exames apresentam alterações no tamanho da próstata. Embora relacionadas à glândula, a diferença entre essas doenças é que quando o aumento é benigno, indica HPB; quando maligno, câncer de próstata.

A próstata é uma glândula exclusivamente masculina, que se localiza logo abaixo da bexiga, envolvendo a uretra e é responsável por secretar o líquido seminal. Ou seja, a próstata nada tem a ver com a função sexual e, sim, com a função reprodutora, com a capacidade de o homem ter filhos. O nervo da ereção que passa ao lado da próstata raramente é afetado.

HBP

A hiperplasia de próstata é uma lesão benigna e não evolui para câncer. É comum que, com o envelhecimento, o homem venha a ter o tamanho dessa glândula aumentado. A HBP acomete cerca de 25% dos homens entre 40 e 49 anos e, aproximadamente, 80% dos que estão na faixa entre 70 e 80 anos.

Vale ressaltar que exames preventivos com o urologista são sempre necessários, e poderiam inclusive ser também indicados para os mais jovens, que devem ser incentivados a cuidar mais da saúde desde muito cedo, como as meninas o fazem ao procurar ginecologistas a partir da puberdade.

É possível identificar os sintomas da HBP. Embora as causas não sejam completamente conhecidas, tudo indica que são provenientes de alterações hormonais, idade, história familiar ou alterações genéticas.

A principal consequência da HBP é que a próstata cresce muito e, por isso, comprime a uretra, diminuindo o seu calibre e dificultando ou impedindo a passagem da urina. Com ela interrompida, podem surgir infecções e cálculos (pedras) de bexiga ou nos rins. Esse bloqueio do fluxo de urina dificulta a micção, ou não ocorre o esvaziamento completo da bexiga, obrigando o homem a urinar com mais frequência, geralmente durante a noite – noctúria.

Quando os sintomas são muito leves, não há necessidade de tratamento da HPB, mas é preciso ter o acompanhamento de um urologista. Por outro lado, quando há dor ao urinar, sangue na urina, infecções frequentes, que perfazem um perfil mais crítico da doença, o tratamento inicial pode ser medicamentoso, ou cirúrgico, quando os medicamentos não surtem efeito. Geralmente, a opção mais recorrente é a cirurgia através da uretra para abrir a cavidade do órgão e facilitar a passagem da urina.

No tratamento da HPB, a cirurgia (com seus vários tipos) pode promover complicações de diversas formas: hematúria, infeção urinária e/ou da ferida operatória, urgência urinária, incontinência urinária e, ainda que em bem pequeno grau, disfunção erétil e orquiepididimite, inflamação do testículo e do epidídimo, causadas por uma infecção bacteriana.

No caso de HPB, o tamanho da próstata “é documento”, sim, pois a decisão de como tratar será influenciada por este fator.

Câncer de Próstata

O Câncer de Próstata é o segundo tipo de tumor que mais afeta os homens – o primeiro é câncer de pele não-melanoma.

Inicialmente, o urologista realizará o exame de toque retal, que poderá identificar se a próstata está maior e se há áreas firmes ou rígidas. Quando há presença de câncer, a glândula endurece.

Na fase inicial, o câncer de próstata não tem sintomas. Em muitos casos, a doença pode ser diagnosticada em estágio avançado. Atualmente, homens mais jovens, por volta dos 40 anos de idade, têm sido diagnosticados com o tumor na próstata. Daí a necessidade dos exames preventivos frequentes para que a doença não seja descoberta em estado avançado.

Além do exame de toque, o urologista poderá solicitar avaliações complementares e específicas, como exames de sangue, creatinina, PSA (antígeno prostático específico), que avalia com mais precisão tumores de próstata, e ainda exames de imagem, entre elas a ultrassonografia e a ressonância magnética.

Disfunção erétil

A HBP tem tratamento e, geralmente, é simples e com bom prognóstico. Da mesma forma o câncer de próstata, com boas chances de cura, sobretudo quando diagnosticado em sua fase inicial.

Alguns tratamentos têm efeitos colaterais muito baixos, caso do HIFU -- High Intensity Focused Ultrassound (Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade) --, técnica minimamente invasiva (sem introdução de instrumentos, agulhas ou sementes radioativas) que tem contribuído tanto para a sobrevida quanto para a qualidade de vida dos indivíduos. A técnica apresenta os menores índices de efeitos colaterais, de 0 a 2%, para incontinência urinária, e de 5 a 26% para disfunção erétil, baixa taxa de mortalidade e alto índice de sobrevida livre de metástases aos 10 anos, com taxas aceitáveis de morbidade.

Como expliquei acima, a próstata nada tem a ver com a função sexual e, sim, com a função reprodutora. O que se tem conhecimento por meio da literatura científica são as complicações emergentes após a realização de prostatectomia radical, uma das indicações para o tratamento do câncer de próstata.

A principal razão dos exames preventivos com um urologista visa os cuidados com a saúde do homem e com a sua qualidade de vida – não só, mas sexual, inclusive. Além da HBP e do câncer de próstata, o urologista é o especialista responsável por diagnosticar e tratar as doenças do trato urinário -- tanto em homens, quanto em mulheres. Entre as quais a saúde da bexiga, dos rins, da uretra e dos ureteres, as doenças adrenais ou glândulas suprarrenais, responsáveis por produzir os hormônios cortisol e adrenalina. Nos homens, o urologista cuida ainda do sistema reprodutor masculino, que compreende o pênis, os testículos, a próstata, as vesículas seminais, os ductos deferentes e o epidídimos.

Como o envelhecimento da população mundial, a tendência é que a população de uma forma geral apresente mais doenças do trato urinário, com prevalência maior para os casos de HBP e câncer de próstata.

A boa notícia é que os tratamentos têm melhorado com o avanço da medicina. Particularmente para as doenças urológicas, a cura e a redução dos impactos na qualidade de vida são cada vez mais factíveis.

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