Prevenção segura contra o HPV

Prof.Dr. Marcelo Luiz Bendhack, Urologia

Publicado em 12/05/2021 - Atualizado em 25/09/2021



O Sars-CoV-2, causador da Covid-19, chamado de “novo” coronavírus, colocou mais uma vez no nosso radar a preocupação com os vírus que causam diversas doenças ao longo da história da humanidade. São agentes etiológicos de estrutura muito simples, não celular, possuem um só tipo de DNA ou RNA com informação necessária para sua reprodução, cercado por uma capa de natureza proteica. Os vírus não conseguem se reproduzir fora de uma célula hospedeira, sendo então chamados “parasitas intracelulares obrigatórios”. São muito menores e mais simples que os organismos celulares (como as bactérias) e só são visíveis ao microscópio eletrônico.

Algumas doenças causadas por vírus: gripe (influenza), catapora (varicela), sarampo, rubéola, caxumba, poliomielite, hepatite A e hepatite B, Aids, febre amarela, dengue, papiloma vírus humano (HPV) e o próprio Sars-CoV-2. Para quase todas existe uma vacina.

Vacinas nos protegem contra diversos tipos de doenças. Elas são fundamentais para induzir resposta imune em indivíduos que a recebem, para que uma vez exposto já disponham de anticorpos protetores.

O contágio tem muitas nuances, peculiaridades. Na busca por tentar compreender por que algumas pessoas não desenvolvem Covid-19, pesquisadores da USP, Unesp e do Grupo Fleury identificaram alguns genes do sistema imune humano que podem ajudar a entender e explicar a resistência e a suscetibilidade ao novo coronavírus. Você pode saber mais sobre isso neste estudo aqui.

Mesmo assim nuances, peculiaridades, resistência e suscetibilidade não servem de argumento contra as vacinas. Ao contrário, porque para todos os casos, as vacinas são como tal uma prevenção segura.

Como uro-oncologista, atuando em hospitais, clínicas, universidades, tenho me dedicado aos estudos e procedimentos eficazes no tratamento do câncer de próstata. Geralmente, estes pacientes são homens, adultos com mais de 40 anos de idade e idosos. No entanto, poucos adolescentes e adultos mais jovens recorrem ao urologista. Vale lembrar que consultas regulares com seu médico, e seja qual for a especialidade, também são fundamentais como forma de prevenção e orientação.

Esse grupo (adolescentes e jovens adultos) não deveria esquecer, ou melhor, deixar de programar consultas regulares com um urologista. Por isso, recorro aqui à incidência de um outro vírus, o papiloma vírus humano (HPV), transmitido pela relação sexual ou pelo contato direto com pele ou mucosas infectadas. Além de ser um vírus responsável pela quase totalidade dos casos de câncer do colo do útero, é a causa também de mais de 90% dos casos de câncer anal e por 63% dos cânceres de pênis.

 

O papiloma vírus humano (HPV) é a doença sexualmente transmissível mais comum em todo o mundo. Acredita-se que quase metade da população mundial seja portadora deste vírus. A maioria das infecções pelo HPV não causa sintomas. Entretanto, infecções persistentes podem causar verrugas e tumores nos órgãos genitais externos, colo do útero, reto e canal anal.

Mais didático ainda é a questão da prevenção. No caso da vacina contra o HPV, as meninas, que tradicionalmente recorrem aos ginecologistas desde muito cedo, devem receber a vacina no SUS na faixa dos 9 aos 14 anos. Os meninos, que raramente aparecem nos consultórios de urologistas, podem receber o imunizante a partir dos 11 anos e até os 14 anos. A vacina nesta faixa etária é mais favorável porque geralmente é feita antes que a pessoa tenha atividade sexual. A idade limítrofe para receber esta vacina é 28 anos e a duração do efeito protetor é de, no mínimo, nove anos após a aplicação inicial.

Da mesma forma que a vacinação contra a Covid-19 tem aspecto coletivo, o imunizante do HPV segue o mesmo raciocínio, ou seja, protege contra cânceres de pênis e de ânus e contra verrugas genitais, e ainda permite que o número de homens infectados no futuro diminua, reduzindo o número de potenciais transmissores do vírus para mulheres.

E por falar em vacinas e em tempos que precisamos informar a sociedade sobre a importância da vacinação contra a Covid-19, vale reforçar também outras igualmente eficientes, seguras, eficazes. Como urologista, cabe aqui neste espaço conscientizar pais e responsáveis (meninos e meninas) que a vacina contra o HPV é mais uma delas.

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