A Telemedicina na Pandemia

Prof.Dr. Marcelo Luiz Bendhack, Urologia

Publicado em 16/03/2021 - Atualizado em 04/08/2021



Em março do ano passado, o Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou o uso da telemedicina durante a pandemia da Covid-19. Até aqui, continua como medida em caráter excepcional, valendo até o fim da luta contra o novo coronavírus.

Para adotar a telemedicina, o CFM orientou sua utilização como “teleorientação”, ou seja, para encaminhamento de pacientes em isolamento; “telemonitoramento”, para monitorar à distância os parâmetros de saúde e/ou doença; e como meio de “teleinterconsulta”, para troca de informações e opiniões entre médicos, para auxílio diagnóstico ou terapêutico.

Pois bem, a pandemia ainda não acabou. Pelo contrário, recrudesceu, com aumento de casos e mortes em todo o País. Novamente, precisamos admitir os pontos positivos, úteis e eficazes da telemedicina, como auxiliar no atendimento do médico ao paciente.

Mesmo antes da pandemia, alguns médicos já enxergavam a telemedicina como uma ferramenta aliada. Essa visão foi potencializada a partir da autorização do CFM neste último ano pandêmico, ainda que em caráter excepcional.

Inicialmente, acreditava-se que a telemedicina poderia ter alguns “pontos negativos”, desfavoráveis. A internet em si é um campo vasto, e o que diferencia é o seu uso com responsabilidade e, no caso particular da medicina, também quando em benefício do paciente, dos médicos e da sociedade.

A partir das medidas de isolamento social recomendadas por especialistas, compreendidas por prefeitos e governadores, as conexões online ganharam relevância exponencial em diversos contextos. O teletrabalho foi adotado em larga escala, as escolas e universidades, ainda que com muitas dificuldades,
passaram a usar a tecnologia como meio de ensino online/remoto.

Os possíveis “pontos negativos” podem ser aprimorados ao longo do tempo. Por exemplo, como manter a qualidade do atendimento do paciente? Como avaliar seus sintomas à distância? Como fazer a anamnese? Como exercer medicina plena sem os essenciais exames físicos, sem o toque,o olhar e o sentir?

Parte dessas respostas pode ser esclarecida pelo prisma das experiências cotidianas que médicos e profissionais da saúde adquiriram na clínica, em plantões, no conhecimento prático, por meio de estudos, pesquisas, congressos e trocas com seus pares.

Associar esse conhecimento prático à telemedicina não é fácil. Às vezes, limitado. Mas aprimoramos padrões e formas de atendimento. Aprendemos no meio do caminho – em meio à pandemia – e isso pode nos dar margem para transferir conhecimentos do mundo físico para o virtual.

A parte mais complexa do atendimento global do paciente é o exame físico, o saber ouvir, olhar e sentir. A ausculta sempre será mais precisa presencialmente e isso é insubstituível. A parte, digamos, mais analítica fica por conta de cada profissional, que desenvolve com o tempo o raciocínio lógico, o saber fazer a análise de casos, aprimorar a conduta do diagnóstico ao tratamento.

O que nos move a melhorar, aprimorar nossos métodos, recomendações e condutas é saber que uma situação não irá substituir a outra, seja no meio físico, seja no virtual. Mas tudo pode ser complementar.

Hoje, um dos benefícios alcançados com a telemedicina é impedir contágios da Covid-19, porque evitamos o deslocamento desnecessário dos pacientes e as aglomerações que poderiam ocorrer em centros médicos e consultórios.

Exames

Alguns exames podem ser avaliados por meio da telemedicina. Na oncologia, urologia ou uro-oncologia temos, por exemplo, os laudos de exames de sangue (PSA), de imagem (ecografia, ressonância, PET Scan, cintilografia) ou da própria biópsia. Estes podem ajudar a identificar precocemente o câncer de próstata e sua evolução.

No entanto, entendo que o urologista, por exemplo, pode receber exames de um paciente com PSA baixo (normal), ecografia sem sinais de suspeita para câncer da próstata, porém um parecer ainda mais preciso dependeria do exame de toque, quando é possível identificar a suspeita para câncer através da mudança de consistência ou “caroço” na próstata.

Vale observar que não se trata de uma questão dicotômica, sobre fazer ou não telemedicina. Trata-se de fazer uma análise primária que poderá resolver uma queixa pontual e inicial do paciente usando a telemedicina – sempre com anuência do paciente e com uma conversa franca com seu médico. Se essa atenção inicial puder ser dada virtualmente ao paciente, melhor.

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