A relação entre a Covid-19 e Obesidade

Dr. Filippo Pedrinola, Endocrinologia e Metabologia

Publicado em 21/01/2021 - Atualizado em 03/08/2021



A obesidade é uma doença complexa e multifatorial!              

Pessoas com obesidade tem maior probabilidade do que pessoas com peso normal de terem outras doenças que são fatores de risco independentes para Covid-19 grave, incluindo doenças cardíacas, pulmonares e diabetes. Elas são também propensas à síndrome metabólica, na qual os níveis de açúcar no sangue, níveis de gordura ou ambos não são saudáveis e a pressão arterial pode estar elevada. Um estudo recente da Tulane University com 287 pacientes hospitalizados com Covid-19 mostrou que a própria síndrome metabólica aumentou substancialmente os riscos de admissão em UTI, necessidade de ventilação e morte.             

Desde início da pandemia, dezenas de estudos relataram que muitos dos pacientes mais graves por Covid-19 eram pessoas com obesidade. Ultimamente, grandes estudos populacionais reforçaram essa associação.  Na primeira meta-análise desse tipo, publicada em 26 de agosto na revista “Obesity Reviews” que reuniu dados de dezenas de artigos revisados num total de 399.000 pacientes, ficou demonstrado que pessoas com obesidade que contraíam SARS-COV-2 tinham 113% mais probabilidade do que pessoas de peso saudável de ir para o hospital, 74% mais chances de serem admitidas em uma Uti e 48% mais chances de morrer.

São vários os fatores fisiológicos e sociais que impulsionam esses números sombrios. A biologia da obesidade inclui imunidade prejudicada, inflamação crônica e maior tendencia do sangue a coagular (tromboses), os quais podem piorar o quadro da Covid-19. Além disso, o excesso de peso faz com que a gordura abdominal empurre o diafragma e piore a ventilação pulmonar. Do ponto da vista imunológico, as células de defesa conhecidas como linfócitos T não “funcionam” tão bem nos obesos. As células de gordura secretam vários mensageiros químicos chamados de citocinas inflamatórias e esse estado basal de inflamação pode piorar a conhecida “tempestade de citoquinas” desencadeada pelo Covid-19. Além de tudo isso, o tecido adiposo tem mais ACE-2, a proteína que permite ao coronavírus invadir as células, permitindo ao vírus se ligar a invadir mais células, causando cargas virais maiores que permanecem por mais tempo, o que pode tornar a infecção mais grave e prolongar o tempo de recuperação.

Aproximadamente 60% da população brasileira tem sobrepeso e por volta 25% obesidade.... é aí que as duas pandemias se encontram.

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