Os avanços da Cirurgia Intrauterina

Dr. Guilherme Loureiro Fernandes , Medicina Fetal

Publicado em 29/10/2020 - Atualizado em 02/07/2022



Cirurgia Intrauterina

Durante os últimos 30 anos a Obstetrícia apresentou um grande salto de qualidade. Muitos conhecimentos foram desenvolvidos, outros aprimorados e uma área nasceu, chamada Medicina Fetal, a qual representa a aplicação disto tudo em nome de um novo paciente: O feto.

Este novo paciente, o bebê, requer cuidados não só durante a gravidez em si, mas sim com o planejamento de uma gestação, pois esta pode se desenrolar de maneira mais saudável, prevenindo-se alguns possíveis problemas, como por exemplo: as malformações do sistema nervoso, representado pela abertura da coluna vertebral (espinha bífida), anencefalia-acrânia (falta da calota craniana e não havendo desenvolvimento cerebral adequado para a vida extra-uterina). A espinha bífida apresenta origem multifatorial, mas pode ter sua incidência minimizada com a administração de vitaminas do complexo B, como o ácido fólico. Mas há casos, devido a origem apresentar vários fatores, em que não conseguimos ainda evitar, e por isso a ciência desenvolveu a cirurgia fetal. Para esta doença, a correção cirúrgica já é uma realidade mundial, e o Brasil representa vanguarda e as técnicas mais utilizadas no mundo, podendo ser realizada por duas maneiras, a chamada “ céu aberto “ e a endoscópica. Em ambas as técnicas apresentamos resultados de alto nível, com excelentes desenvolvimentos da qualidade de vida pós nascimento, reduzindo de sobremaneira as sequelas que estas doenças apresentam quando não tratadas durante a gestação.

Existem outras doenças congênitas como as hérnias diafragmáticas, que são causadas por um não desenvolvimento da parte de um músculo chamado diafragma, responsável pelo movimento de respiração. Com essa falha no músculo do diafragma, os órgãos do abdômen fetal sobem para o interior do tórax, e invariavelmente irão comprimir os pulmões do bebê, impedindo seu desenvolvimento, o que levará a insuficiência respiratória grave, dificultando a vida. Esta doença apresenta uma alta mortalidade, porém quando se opera na vida intra-uterina, há boas chances de sobrevivência para, depois do nascimento, executar a cirurgia definitiva, aumentando assim a qualidade de vida.

Há outras doenças frequentes na vida fetal, como nas gestações gemelares de uma placenta só e com 2 bolsas, que são chamadas de monocoriônicas e diamnióticas. Cerca de 15% destas gestações podem apresentar um desequilíbrio da quantidade de sangue nos fetos, e com isso o bebê que ficar com menos sangue ficará menor, com menos líquido amniótico e com déficit de oxigenação, e o outro o inverso. Esta situação apresenta alta taxa de mortalidade fetal em sua história natural, e com a intervenção intra-útero através da cirurgia laparoscópica fetal, esta doença pode ter seu curso mudado e a gestante poder ter pelo menos um dos fetos.

Existem situações que já foram frequentes no mundo, como a doença hemolítica perinatal, que já está quase extinta, pois a décadas já é realizado a imunização da grávida durante a gestação e no pós-parto ainda dentro da maternidade. Esta doença pode acontecer quando a gestante apresenta tipo sanguíneo negativo e o parceiro positivo, e apresentar algum sangramento na gestação. Neste momento se existir contato entre o sangue da mãe e o fetal, na região da placenta, se formarão anticorpos contra o sangue do bebê, caso este seja positivo, e com isso as futuras gestações podem estar em risco. Caso isto aconteça, nas próximas gestações realizamos transfusão de sangue intra-útero para permitir que o feto sobreviva com saúde.

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