Obesidade Infantil

Dr. Marcio C. Mancini, Endocrinologia e Metabologia

Publicado em 20/10/2020 - Atualizado em 03/08/2021



Obesidade infantil

As doenças não transmissíveis causadas por doenças cardiovasculares são todas, em parte, consequências da obesidade e atualmente são a causa principal de mortalidade em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, as taxas de obesidade quase triplicaram desde 1975 e mais de 40% dos adultos do mundo estão com sobrepeso ou obesidade. As raízes desta crise de saúde são estabelecidas na primeira infância e, portanto, compreender as consequências da obesidade infantil e desenvolver estratégias para prevenir e tratar a obesidade infantil são de extrema importância.

O primeiro passo é a identificação da obesidade infantil. O Brasil adota as curvas de IMC por idade e por gênero da Organização Mundial de Saúde. Através delas o profissional de saúde pode identificar se a criança está com baixo peso, peso normal, sobrepeso ou obesidade. Sem o uso dessa ferramenta, o problema não é identificado, e então não existe intervenção para o seu tratamento.

Os aspectos nutricionais da obesidade infantil são, sem dúvida, muito importantes. A dieta com baixo teor de carboidratos ou cetogênica, cada vez mais popular, tem adesão de 50% durante os primeiros três meses e de menos de 15% em 6 meses. Estudos documentam que o baixo nível educacional dos pais se correlaciona com alta ingestão de bebidas adoçadas com açúcar, mais tempo de tela (aqui incluídos televisão, computador, tablets e celulares) e menor consumo de frutas e vegetais. Certamente podem ser úteis no tratamento os medicamentos antiobesidade e os substitutos de refeição. Em agosto de 2020, foi aprovado pela Anvisa um primeiro medicamento antiobesidade para a faixa etária a partir de 12 anos de idade, a liraglutida.

A atividade física pode ter impactos positivos tanto na parte metabólica quanto emocionalmente. Adolescentes que estavam mais confiantes em sua capacidade de se envolver com sucesso em atividades físicas são menos propensos a serem provocados por seu peso (bullying).

Além do tratamento, é essencial encontrar estratégias eficazes para a prevenção da obesidade em crianças e adolescentes. A chance de uma criança ou um adolescente com obesidade tornar-se um adulto com obesidade é muito grande. Nesse sentido, é muito importante que orientações sobre tempo de tela, tempo sedentário, atividade física e ingestão alimentar, particularmente enfatizando o número de porções de frutas, legumes e verduras sejam implementadas em nível familiar (O que pode ser feito em unidades básicas de saúde e mesmo nas escolas). 

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