O Potencial do Metaverso na Sade

Dr. MIGUEL NACUL, Cirurgia do Aparelho Digestivo

Publicado em 14/02/2023 - Atualizado em 25/07/2024



Tema de debates recorrentes nos últimos meses: METAVERSO!

Essa é a terminologia utilizada para caracterizar um ambiente virtual imersivo e hiper-realista que busca replicar a realidade através de dispositivos digitais. Este espaço cibernético compartilhado pode integrar conceitos como o de "realidade virtual", "realidade aumentada" e "Internet" com avanços tecnológicos em equipamentos (óculos, fones, sensores, projetores holográficos etc.).

Realidade virtual (VR) é um ambiente em três dimensões, criado por computadores, que simula o mundo real e permite a total interação dos participantes. Simuladores de realidade virtual são utilizados para treinamentos na aviação civil e militar a décadas.

Já a realidade aumentada (AR) combina aspectos e insere elementos virtuais no mundo real como, por exemplo, no jogo Pokémon Go, em que as pessoas utilizam a câmera dos seus telefones celulares para capturar criaturas virtuais em um mapa baseado no mundo real. Ambos ambientes têm sido utilizados na área da medicina já há anos com especial foco nas especialidades cirúrgicas para o treinamento de cirurgiões e atendimento de pacientes. A melhora da estabilidade, segurança e velocidade da transmissão de dados associado a avanços tecnológicos na área da saúde compõem um cenário muito propício para a inserção do conceito do metaverso, promovendo uma mudança radical na forma como interagimos com o mundo digital.

A qualidade crescente dos exames diagnósticos de imagem, em especial, tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética, simuladores de realidade virtual, telemedicina, videocirurgia e plataformas para cirurgias robóticas formam a base sobre a qual a incorporação da inteligência artificial, aprendizado das máquinas e a big data, inseridos no metaverso, revolucionarão, uma vez mais, a cirurgia. Consultórios, hospitais, salas cirúrgicas, congressos médicos podem ser criados virtualmente. Óculos de realidade virtual, equipados com fones de ouvido e sensores, possibilitarão a entrada em um mundo virtual on line incorporando realidade aumentada, avatares holográficos 3D, vídeos e outros meios de comunicação como realidade fosse.

O metaverso tem o potencial de elevar a educação médica, assim como a assistência aos pacientes para um patamar superior. Na educação, a criação de universos científicos paralelos como congressos, cursos, a própria universidade farão as experiências virtuais de ensino muito mais intensas e engajadas, quase como encontros presenciais, mas com muito mais recursos. Uma aula, por exemplo, poderá ocorrer dentro do próprio paciente, de um órgão ou sistema. Ou ainda em qualquer cenário atual ou passado, como, por exemplo, no anfiteatro cirúrgico original do século XIX do Massachusetts General Hospital em Boston, EUA. Avatares ou representações holográficas de professores históricos como William Halsted ou mesmo Avicena poderão palestrar em ambientes reais ou virtuais. O cirurgião não só poderá treinar suas cirurgias em simuladores de realidade virtual, utilizando a anatomia do seu paciente captada através de tomografia computadorizada ou ressonância, como também estar totalmente imerso dentro do próprio corpo do paciente. Seria como no filme de ficção científica “Viagem Fantástica” de 1966, dirigido por Richard Fleischer. Na história, tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética desenvolveram tecnologia de miniaturização da matéria, Para salvar a vida de um cientista soviético que desertou para os EUA e que está em coma devido a um coágulo no cérebro após um atentado a sua vida, os personagens (entre eles, um cirurgião) embarcam em um submarino, que é miniaturizado e injetado no corpo do cientista. A equipe tem uma hora para dissolver o coágulo, pois após este tempo, o submarino retornará ao tamanho normal. O metaverso poderá nos proporcionar situação semelhante, no mundo virtual, é claro (pelo menos, por enquanto)!

O setor de saúde tem sofrido uma intensa transformação nos últimos anos. A eclosão da pandemia da COVID-19 trouxe, de forma súbita e inesperada, novos desafios para as empresas do segmento, fazendo com que invistam em inovação e adotem novos recursos tecnológicos. A verdadeira disrupção na indústria da saúde, ao que tudo indica, acontecerá com a criação do metaverso. No entanto, muitas das ferramentas tecnológicas necessárias para que este ambiente virtual se torne realmente útil e disponível ainda precisam ser desenvolvidas ou melhoradas. Seja como for, parece fundamental estarmos prontos para utilizar, de forma ética, efetiva e inteligente, as infinitas possibilidades que o metaverso poderá nos proporcionar.

 

 

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