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Dia Mundial do Coração

Dr. Anderson Rodrigues de Oliveira, Cardiologia
Publicado em 29/09/2017 - Atualizado em 20/10/2018



Doenças cardiovasculares são a principal causa de mortalidade no mundo, segundo dados da OMS. A cada ano, mais de 17 milhões de indivíduos falecem, em todo o mundo, devido a doenças cardiovasculares.

Dados são preocupantes, pois há uma previsão de 23,6 milhões de óbitos em 2030!


-Tossir ajuda o infartado.

MITO: boatos na internet dizem que tossir pode aumentar a pressão intratorácica , e que isso “salvaria” o infartado! A verdade é que isso não traz qualquer benefício para quem está enfartando. Portanto, não existe nenhuma recomendação médica/científica nesse sentido.

Se você não é alérgico a aspirina e suspeitar que está sofrendo um infarto, pode mastigar 3 comprimidos de AAS infantil e correr para um pronto-socorro cardiológico para ser submetido a eletrocardiograma, RX tórax e exames de sangue.

-Posso infartar sem ter “dor no peito”.

 Verdade: as pessoas não devem esperar a clássica dor no peito do lado esquerdo para achar que estão infartando, pois alguns pacientes infartam sem os sintomas clássicos de dores no peito, no pescoço/mandíbula, nas costas, sudorese e náuseas/vômitos. Nas mulheres, idosos e diabéticos isso é ainda mais preocupante, pois estes grupos costuma ter chances maiores de apresentar sintomas/sinais ATIPICOS nos quadros de angina/infarto.

Alguns doentes podem infartar com essas queixas atípicas: falta de ar, palpitações, confusão mental, dor no peito do lado direito do tórax, dor no braço direito, dor no estômago, etc.

-Fazer check-ups anuais ajuda a evitar surpresas (“derrames e infartos”).

VERDADE: homens e mulheres devem fazer exames, anualmente, para verificar como está a saúde do sistema cardiocirculatório. A prevenção, acompanhada de um profissional, é a chave do sucesso para o nosso bem maior: a saúde!  E, de acordo com a presença de fatores de risco, pode-se estimar o risco cardiovascular de cada indivíduo.

-Podemos controlar todos os fatores de risco cardiovascular.

MITO: dentre os vários fatores de risco cardiovascular, há aqueles não evitáveis, controláveis ou tratáveis, como a etnia, a história familiar e a idade. Certos grupos étnicos têm maior risco para desenvolver doenças cardiovasculares. Em relação à história familiar, se familiares próximos (pais e irmãos) têm ou tiveram problemas de coração, as pessoas terão maior probabilidade de desenvolver as mesmas doenças. Por fim, em relação à idade, com o envelhecimento há um considerável aumento no número de problemas do coração.

-No Brasil, é pequeno o número de portadores de colesterol alterado.

Mito: de acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 40% da população brasileira possui colesterol alto e doenças associadas a esse problema, como infarto, angina e “derrame cerebral” (AVE – acidente vascular encefálico), apontadas como as principais causas de morte no mundo.

-Quanto mais alto o “colesterol ruim” (LDL), maior o risco cardíaco.

Verdade: o risco de infartos e de “derrames” é ainda maior naqueles indivíduos que têm níveis de LDL acima de 190,  quando o médico deve suspeitar do diagnóstico de uma doença chamada hipercolesterolemia familiar (HF).

-A Hipercolesterolemia Familiar (HF) não acomete pacientes brasileiros.

Mito: este é um problema de saúde mundial, reconhecido pela OMS, que acomete cerca de 300 mil portadores de HF no Brasil.

No mundo existem cerca de 10 milhões de portadores de HF, apenas 10% desses têm diagnóstico conhecido de HF.

Esta doença aumenta a incidência de infarto/angina (doença aterosclerótica) prematura. Ou seja, infartos em homens abaixo de 55 anos e em mulheres abaixo de 65 anos de idade.

-Bebidas alcoólicas fazem bem ao coração

 Parcialmente verdade (consumo MODERADO):

O baixo consumo de sódio e de álcool encontram-se entre as principais recomendações não medicamentosas para a prevenção primária de “pressão alta” (hipertensão arterial). Quando o assunto é “álcool e prevenção de doenças cardiovasculares”, vale destacar:

  1. Trabalhos científicos revelam que baixas doses de álcool estão associadas ao menor índice de infarto, pois dificultam a adesão de placas de gordura nas paredes das artérias;
  2. O vinho, em particular, ainda tem os flavonóides, substância que aumenta a concentração do “bom colesterol” (HDL);
  3. Mesmo com esses bem efícios cardiovasculares: nenhum médico deve estimular o uso de bebidas alcoólicas na prevenção de doenças cardio-vasculares (infartos e derrames)!
  4. E, se o paciente já faz uso de bebidas alcoólicas, vale recomendar que não ultrapasse o limite recomendado!

Mito (consumo EXAGERADO):

Ingestão excessiva de álcool pode ser danoso à saúde do coração. Relaciona-se ao desenvolvimento de hipertensão e de arritmias.

Consumo acima de 30 gramas de álcool por dia pode provocar a “dilatação do coração” (miocardiopatia alcoólica)!

A ingesta abusiva de bebidas alcoólicas tem grande impacto ainda:

. Na elevação dos níveis de triglicerídeos (hipertrigliceridemia), consequentemente, aumenta o risco de pancreatite aguda!                 

. Nos níveis de homocisteína (relação com doenças cardiovasculares, conforme alguns autores/trabalhos científicos).

. Na maior incidência de casos de sobrepeso e de obesidade (conforme a I Diretriz Brasileira de Prevenção Cardiovascular).

-Apenas obesos têm problemas de coração.

Mito: é certo que a obesidade é um dos fatores de risco que aceleram o processo de aterosclerose, mas indivíduos magros também podem ser afetados, principalmente aqueles portadores de fatores de risco cardiovascular.

-Distúrbios do sono podem aumentar o risco de “derrames”.

Verdade: alguns pacientes podem apresentar apnéia do sono, distúrbio caracterizado por várias paradas respiratórias durante o sono! Essa doença pode ser “gatilho” para arritmias, infartos, derrames (AVE – Acidente Vascular Encefálico), morte súbita. Além de ser uma patologia que tem relação com casos de sonolência diurna  e  maior risco de acidentes de trânsito.

-Os cigarros são a principal causa evitável de mortes no mundo.

Verdade:  a maior causa evitável de mortes no mundo é o tabagismo. Os fumantes têm o risco de morte súbita até 4 vezes maior do que não fumantes. O vício do cigarro aumenta as chances de ter infarto do miocárdio, AVE (conhecido como “derrame”), angina e outras doenças, como o câncer.

-Fumar narguilé não causa problemas de saúde.

Mito: geralmente, uma sessão de narguilé dura de 20-80 minutos, algo que corresponde à exposição de todos os componentes tóxicos presentes na fumaça de, aproximadamente, 100 cigarros.

O narguilé sempre foi muito usado por hidus, persas e turcos, consiste numa espécie de cachimbo com um longo tubo por onde a fumaça passa, até chegar à boca do usuário. Vale destacar a comparação da quantidade de nicotina ( tóxica e viciante):

                  . No narguilé: 2-4%,

                  . No tabaco: 1-3%

-As arritmias cardíacas sempre são malignas.

Mito: existem arritmias (distúrbios do ritmo cardíaco) benignas e malignas. Diante da suspeita de um quadro de arritmia, cabe uma avaliação detalhada de um cardiologista/arritmologista ou eletrofisiologista, o qual determinará a gravidade do distúrbio elétrico e seu melhor tratamento.

-Atletas/esportistas NÃO correm risco de ter uma morte súbita.

MITO: qualquer pessoa está sujeita à morte súbita, inclusive atletas. A doença acomete indivíduos independentemente da faixa etária, sexo ou condição socioeconômica. As vítimas de morte súbita, inclusive, podem se encontram em sua idade mais produtiva. A maior porcentagem de ocorrência está no grupo de pessoas que possuem doenças cardíacas, entre os que já sofreram parada cardíaca e naqueles que têm histórico familiar de infarto, de derrame, ou de arritmias

-Morte súbita pode ser “revertida”.

Verdade: a morte súbita pode ser reversível em muitas vítimas: trata-se, rapidamente, com um choque elétrico aplicado no peito/tórax do paciente.

Vale destacar que poucas tentativas de ressuscitação cardiopulmonar são bem-sucedidas após 10 minutos! 

E,  a partir de três minutos, o cérebro já começa a sofrer danos irreversíveis. Por isso, o socorro e o consequente atendimento devem ser, extremamente, rápidos. 

-Morte súbita é, geralmente, de origem cardíaca?

Verdade: a morte súbita, que tem incidência maior no sexo masculino, pode ser provocada por uma arritmia cardíaca em 90% dos casos.

-Parada cardíaca (PCR) significa que certamente o indivíduo morrerá.

Mito: uma PCR não obrigatoriamente indica que o paciente vai morrer. Há recuperação quando as manobras de ressuscitação são realizadas, imediata e eficazmente. Diante de uma parada cardíaca, o sucesso das manobras e a recuperação do indivíduo:

- Dependerá, diretamente, do tempo transcorrido entre o pedido de socorro e o choque no peito/tórax.

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