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Como prevenir o melanoma cutâneo

Dra. Ana Maria Fagundes Sortino, Dermatologia
Publicado em 19/06/2017 - Atualizado em 27/04/2018



O melanoma é o câncer da pele mais maligno. Apesar de representar apenas 2-4% dos tumores cutâneos, o maior número de mortes ocorre devido a ele. Está bem descrito na literatura que 90% dos melanomas cutâneos são preveníveis, contudo alguns tipos de melanoma maligno não estão relacionados à exposição aos carcinogênicos ambientais, restando a este grupo o diagnóstico precoce.

Como diz o Dr. Neville Davies: “O melanoma escreve sua mensagem na pele com sua própria tinta, e está lá para que todos vejam. Infelizmente, alguns veem, mas nao compreendem”.

Minha inspiração para este texto é levar ao leitor uma melhor compreensão da importância da prevenção do melanoma cutâneo. Na maioria dos casos, nossas ações podem interferir no aparecimento e no diagnóstico precoce deste tumor maligno, levando a uma maior probabilidade de controle da doença.


Como posso prevenir um melanoma cutâneo?

São duas as principais maneiras:

1 –  Reduzir e/ou limitar ao máximo a exposição às radiações Ultravioleta, tanto naturais, como artificiais.

Siga essas dicas:

- Use filtro solar de amplo espectro, com proteção UVB de no mínimo FPS 30 e 1/3 de proteção UVA. Isto significa que um filtro solar de FPS 30 precisa ter uma proteção UVA de 10; um filtro com FPS 50+ precisa ter uma proteção UVA de no mínimo 17. Leia os rótulos e procure sempre pelo símbolo.

- Aplique uma quantidade generosa de filtro solar na pele, antecedendo de 15 a 30 minutos a exposição solar, para que o produto tenha a eficácia descrita no rótulo.

- O uso do filtro solar não significa que você possa se expor ao sol por tempo indeterminado. O produto precisa ser reaplicado a cada 2 horas, como também após sudorese intensa (um exemplo são os exercícios ao ar livre) ou após mergulhos na água do mar e/ou piscina.

- Além do filtro solar, pratique fotoproteção através do uso de roupas, chapéu e óculos. Alguns tecidos, devido seu tipo de trama, podem receber um tratamento específico que garante o bloqueio de mais de 98% da radiação solar.

- Em atividades de trabalho, lazer e esportes ao ar livre, busque a sombra, sempre que possível.

- Evite queimaduras solares, principalmente nas crianças, pois apenas um episódio com eritema intenso e bolhas dobra a chance da pessoa desenvolver melanoma cutâneo quando adulto.

- Redobre seus cuidados de fotoproteção em ambientes altamente reflexivos, como a areia da praia, dentro d’água, na neve, etc. Nestas condições há um maior risco de queimaduras solares. 

- Tenha hábitos alimentares saudáveis e ingira alimentos ricos em Vitamina D. Quando indicado pelo seu médico, faça reposição com suplementos vitamínicos. Sempre evite a exposição solar intensa e/ou exposição sem filtros solares para produção de Vitamina D.

- Cuidado com os remédios alopáticos e também com os naturais, pois alguns componentes de medicações e/ou fórmulas podem levar a uma maior sensibilidade da pele à luz e facilitar queimaduras solares.

- Nos dias nublados, a exposição da pele por longos períodos, seja por trabalho ou lazer, assim como ficar em ambientes próximos a janelas e vidros, como no carro em viagens, também podem levar a queimaduras da pele. Nestes casos o uso de filtro solar de amplo espectro UVB e UVA está sempre indicado.

- Evite o bronzeamento intencional da pele, tanto com fontes de luz natural, como artificiais. Lembre-se que o bronzeamento artificial, baseado na emissão de radiação ultravioleta, é proibido no Brasil. (RDC No 56/2009)

 

2 –  Obter o diagnóstico de um melanoma o mais precocemente possível.

Siga essas dicas:

-  Realize o autoexame periódico da pele.

- Passe em consulta com o seu médico dermatologista, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, no mínimo uma vez ao ano, para exame clínico de toda a pele e dermatoscopia das lesões melanocíticas suspeitas.

- Siga a orientação médica de biópsia das lesões melanocíticas suspeitas, ou de novas lesões da pele, para não retardar um diagnóstico precoce de melanoma, evitando um futuro diagnóstico menos favorável.

- Em casos de alto risco para melanoma maligno o médico dermatologista e/ou oncologista irá solicitar o mapeamento de corpo total e fotodermatoscopia das lesões melanocíticas, em intervalos semestrais ou anuais. Faça corretamente este seguimento quando indicado.

- Lembre-se da importância de consultas anuais com o médico oftalmologista, médico ginecologista/urologista e dentistas para o diagnóstico precoce de melanomas oculares e de mucosas.

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