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Novos horizontes na ultrassonografia dermatológica

Dr. Antônio Sérgio Zafred Marcelino , Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Publicado em 13/03/2019 - Atualizado em 26/05/2019



Há aproximadamente um ano e meio, utilizamos esse canal pra expor alguns conceitos, ideias, mitos e verdades a respeito da ultrassonografia diagnóstica, no artigo assim chamado “Ultrassonografia: mitos e verdades”.

O principal objetivo foi informar e esclarecer as peculiaridades da ultrassonografia diagnóstica, por vezes deixada de lado, em favorecimento a outros métodos chamados de “mais complexos” ou “mais modernos”

Àquela época, iniciávamos um trabalho com uma nova tecnologia de ultrassom baseada em transdutores de alta resolução. Inovamos na avaliação das mais diversas alterações dermatológicas: lesões inflamatórias, infecciosas, avaliação de tumores da pele (derme e epiderme), lesões secundárias, lesões vasculares congênitas, no seguimento de pacientes com tumores em tratamento, entre outras que citaremos a seguir.

Este é nosso tema de hoje. Vamos explorar os novos horizontes da ultrassonografia de alta resolução, suas aplicações nas lesões da pele e de outras estruturas superficiais.

O que há de novo nesta tecnologia? Qual o valor agregado nesta utilização?

Simplesmente a evolução tecnológica. Sim, a ultrassonografia, utilizada nas mais diversas áreas da medicina moderna ainda evolui, e muito.

A ultrassonografia com transdutores de alta frequência ou de alta resolução passou por diferentes etapas ao longo de décadas, e hoje, atinge um patamar de excelência. O que era alta resolução há alguns anos, hoje está obsoleto. Investimos, como necessidade, em conhecimento compartilhado com outros especialistas, cientes de que estes novos transdutores de alta resolução de 24 MhZ traria muitos benefícios a todos os profissionais envolvidos e, sobretudo, aos pacientes em geral.

Embora ainda em estudo, mas com literatura bastante consistente na área médica, é isto que vimos: há um novo olhar para as lesões da pele, o maior órgão do corpo humano. Dermatologistas em geral, cirurgiões oncológicos, cirurgiões plásticos e oncologistas possuem agora uma nova ferramenta diagnóstica à disposição, e, o que desejamos aqui é disseminar a informação, o conhecimento.

A alta definição das imagens obtidas permite diagnósticos bastante precisos de lesões e caracterização de estruturas vasculares (veias e artérias) milimétricas que não eram sequer identificadas à ultrassonografia.

Na ultrassonografia de alta resolução, as características de pequenos tumores benignos ou malignos, seus limites e sua profundidade em muito se assemelham ao visto nos cortes histológicos o que traz segurança aos profissionais envolvidos, novas aplicações do método, e novos horizontes!!!

Ainda, o exame de ultrassonografia é hoje, o exame de escolha para o seguimento de pacientes portadores de melanoma, um tumor de pele pouco frequente, mas extremamente agressivo, responsável por até 75% das mortes por câncer de pele. Estima-se em 5.700 novos casos no Brasil no ano de 2016. “Guidelines” internacionais incluem a ultrassonografia na avaliação de lesões satélites, recidivas, e lesões secundárias.

Os demais tipos de tumores cutâneos também podem hoje ser melhor avaliados pela ultrassonografia de alta resolução, que auxilia no estadiamento locoregional e determinação de subtipos mais agressivos.

Em lesões extensas conseguimos delimitar com a ultrassonografia de alta resolução os contornos exatos da lesão, ajudando no planejamento cirúrgico ao fazermos a marcação adequada e também o direcionamento para outros exames necessários.

Em alguns casos específicos conseguimos guiar o melhor local para a retirada do enxerto da pele em retalhos, com a respectiva nutrição arterial e venosa. Com isto reduzimos o tempo de cirurgia, a área submetida à cirurgia e consequente recuperação mais rápida do paciente.

Em procedimentos estéticos com preenchedores conseguimos, muitas vezes, definir exatamente o local de implantação e o tipo de substância utilizada prevenindo complicações que podem ser graves.

Há outras nuances envolvidas, aplicações e indicações para o exame das estruturas da pele e mesmo dos anexos, como por exemplo, as unhas, mas a ideia aqui é apenas conscientizar profissionais e o público em geral.

Embora a fase seja de algoritmos e de inteligência artificial, o treinamento dos profissionais é fundamental. Esta é uma área que o conhecimento deve ser atualizado. Sem dúvida, as informações atuais são diferentes e mais complexas do que as já existentes na literatura, quando da utilização de transdutores de menor frequência, presente na maioria dos equipamentos de ultrassonografia.

Ainda, o apoio multidisciplinar com profissionais de diferentes especialidades médicas é produtivo no sentido de orientar melhores indicações e indicar outras possibilidades. Discutir as aplicações, acompanhar os procedimentos em busca de melhores resultados é fundamental nos dias de hoje pra quem deseja crescer e atingir a melhor assistência, a excelência.

Atuar de maneira eficaz ao unificar o conhecimento inicial, estudar e aprender com a nova tecnologia recebida, produz um novo estado do conhecimento em direção ao melhor cuidado e bem-estar dos pacientes, tão almejado nos dias de hoje.

Divulgar novos conhecimentos e experiências também é nosso objetivo neste canal informativo sem dúvida de grande valor a todos interessados.

Fica a dica aos profissionais, pensem na ultrassonografia como metodologia diferencial no estudo das diferentes alterações dermatológicas em adultos ou crianças. Aos pacientes, algumas sugestões: procurem profissionais e serviços qualificados para a realização dos exames e questionem o seu médico(a) ao perguntar se a ultrassonografia de alta resolução pode ser a sua aliada nestas condições.

Aos que tiverem interesse, procurem o texto anterior focado em ultrassonografia geral onde escrevemos a respeito de outras vantagens deste método extremamente eficaz.

Co-autora Dra. Luciana Zattar, Médica Radiologista especialista em musculoesquelético pelo HSL, responsável pela Ultrassonografia cutânea.

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