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As primeiras etapas do vício em nicotina

Universidade de Johns Hopkins, Research
Publicado em 29/01/2018 - Atualizado em 27/04/2018



Algumas pessoas gostam da nicotina, outras não. Mas essa divergência de preferência parece acontecer mesmo antes do vício.

Essas conclusões sairam de um novo estudo da Universidade Johns Hopkins Medicine que examinou os primeiros estágios da dependência da nicotina em adultos que nunca fumaram antes.

Em um pesquisa publicada na revista Psychopharmacology, os pesquisadores disseram que, pela primeira vez, examinaram a reação do corpo ao primeiro e menor "contato" com a nicotina. Posteriormente esse estudo ajudaria a identificar as pessoas mais vulneráveis ao vício em nicotina, e o tratamento e prevenção começaria antes do vício.

No estudo, os participantes voluntários ao longo do tempo se dividiram em dois grupos iguais: aqueles que desenvolveram uma preferência por uma pílula com baixas doses de nicotina e aqueles que preferiam um placebo (uma substância sem propriedades farmacológicas, a "pílula de açúcar"). Nenhum grupo sabia o que essas pílulas realmente continham.

"Nossos resultados sugerem que há definitivamente algumas pessoas/organismos que rejeitam a nicotina e outras que escolhem a nicotina", diz o pesquisador de vício Roland Griffiths, professor de psiquiatria e ciências comportamentais na Faculdade de Medicina. Ele acrescenta que "vulnerabilidades genéticas e metabólicas" são provavelmente responsáveis pela divisão.

A nicotina sempre foi uma droga desconcertante para os cientistas na medida em que o seu potencial de dependência é alto, mesmo sabendo que a maioria dos usuários pela primeira vez não gosta do cigarro.

"Quando você dá às pessoas a nicotina pela primeira vez, a maioria das pessoas não gosta", diz Griffiths. "É diferente de muitas outras drogas viciantes, que a maioria das pessoas diz que gosta na primeira vez e usariam novamente".

Pesquisas anteriores mostraram que a maioria dos usuários que estava experimentando a nicotina pela primeira vez, quando oferecidos nicotina novamente, recusaram e preferiram um placebo. O mesmo padrão e comportamento foi comprovado em ratos de laboratório.

O estudo de Hopkins, no entanto, introduziu a nicotina em seus participantes em doses extremamente baixas, de modo que não fossem rejeitados no início e, ao longo do tempo, "se familiariam com os efeitos sutis de alteração do humor", diz Griffiths.

Cada um dos 18 adultos não-fumantes, saudáveis que se voluntariaram para o estudo começaram a receber duas pílulas idênticas por dia, rotuladas como "A" e "B." Receberam a explicação que a pílula não-placebo poderia conter substâncias como cafeína, ginseng ou nicotina. Após cada pílula, os voluntários foram convidados a relatar seus sintomas, como grau de relaxamento, mudanças de energia, tontura ou nervosismo.

Depois, durante pelo menos 10 dias consecutivos os participantes receberam as mesmas pílulas, desta vez sem etiqueta, e os pesquisadores pediram para eles identificarem qual era a pílula A e qual era B. Se o voluntário não conseguisse distinguir com segurança a pílula A da pílula B, a dose de nicotina aumentaria ligeiramente. Mas se o voluntário conseguisse distinguir de forma segura a pílula A da B, eles poderia escolher qual pílula gostariam de tomar e deveriam explicar sua decisão. Nove dos 18 participantes escolheram de forma confiável a pílula de nicotina, citando maior concentração, alerta, estimulação, energia e melhor humor. A outra metade escolheu o placebo, muitas vezes explicando que a pílula de nicotina - embora eles não soubessem que continha nicotina - os fez sentir delírios, tonturas ou enjoo.

Griffiths acredita que este é o primeiro estudo a demonstrar de forma conclusiva que a nicotina pode passar no "teste de reforço" em não-fumantes, e conclue que tem pessoas "que rejeitam" e pessoas "que aceitam" a nicotina.

"Espero que nossas descobertas indiquem o caminho para futuras prevenções e tratamentos ao vício da nicotina".

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