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O Risco das Doenças Vasculares no Verão

Dr. Breno Caiafa, Angiologia e Cirurgia Vascular
Publicado em 09/01/2018 - Atualizado em 11/12/2018



O verão já chegou, e com ele alguns incômodos podem ocorrer devido ao aumento de temperatura nos ambientes. A circulação venosa dos membros inferiores já sofre com a constante ação da gravidade, o que exige do corpo mecanismos de retorno venoso que compensem essa dificuldade. Durante a estação, podem surgir sintomas de sobrecarga da circulação sanguínea como dores nos membros inferiores, inchaço, sensação de peso, coceiras, ardências e câimbras associadas ao ressecamento da pele. Os sintomas de varizes dos membros inferiores costumam agravar-se nessa época, e a prevenção depende bastante de cuidados pessoais.

As varizes são muitas vezes apontadas apenas como uma questão estética, mas são, acima de tudo, um problema de saúde. As atividades de prevenção da doença vão desde exercícios físicos a alguns detalhes que passam desapercebidos no dia a dia, como evitar ficar muito tempo parado em uma única posição (seja em pé ou sentado), por exemplo. Controle do peso e atividades aeróbicas são algumas medidas práticas que auxiliam também na prevenção. Além de uma boa hidratação ser fundamental, o sal também requer cuidados, já que deve ser reduzido por absorver muito líquido, podendo colaborar para o inchaço de membros inferiores e superiores.

O descontrole do peso, o sedentarismo e o calor são os vilões mais comuns para ocorrência da doença em si, ou o aparecimento de sintomas nos membros inferiores durante o verão. Evitar expor as pernas ao sol, aplicar filtro solar antes da exposição solar e um creme frio após o final do dia, com massagens de baixo para cima ou até mesmo colocando os pés para cima por alguns minutos e depois movendo-os constantemente, são cuidados para evitar ou melhorar os edemas nessa época do ano. 

A prática da musculação e atividades físicas não são fatores de risco para o desenvolvimento das veias dilatadas e tortuosas, pelo contrário, se feitos de forma regular e supervisionada por profissionais de educação física, pode melhorar e muito a circulação. Ao andar ou correr, os músculos da panturrilha trabalham como uma bomba empurrando o sangue de volta para o coração, ajudando a circulação. O uso de salto alto não é o fator principal e não tem comprovação científica de que favoreça o aparecimento de varizes, mas pode piorar os sintomas prévios, já que atrapalha o movimento ideal de retorno venoso.

As varizes dos membros inferiores devem ser previamente avaliadas e tratadas antes do verão chegar, evitando assim que os sintomas atrapalhem o período de férias. Tratamentos como escleroterapia, laser, espuma densa e cirurgia são alguns exemplos de opções que o Angiologista e Cirurgião Vascular pode realizar para controlar a patologia. 

O calor e a umidade também aumentam a possibilidade de aparecimento de infecções de pele como a Erisipela, também conhecida como “mal da praia”. Como as pessoas expõem muitas áreas do seu corpo ao meio ambiente em passeios ao ar livre, cresce o risco de contaminação por fungos e bactérias. Essa é uma infecção cutânea, causada geralmente pela bactéria Streptcoccus. Os sintomas são febre alta, vermelhidão e inchaço da perna, e podem ter em comum a mesma forma de contágio, a partir de uma lesão ou ferimento na pele.

A prevenção consiste no combate às micoses interdigitais (lesões cutâneas entre os dedos), cuidados especiais na higiene dos pés, tratamento de pequenos traumatismos ou arranhões e de pequenas infecções da pele. Uma vez instalada a enfermidade, a pessoa deve procurar orientação medida imediatamente. Isso porque apenas uma crise é possível de levar ao linfedema, que é o acúmulo do fluido linfático em determinada região do corpo.

Cuidado durante as viagens

Como o verão também é época de férias e viagens, devemos ter alguns cuidados enquanto nos transportamos de um lugar a outro. Enquanto o passageiro fica longos períodos com as pernas paradas e pendentes, o mecanismo de retorno venoso não funciona adequadamente, o que acarreta na diminuição da velocidade da circulação, ou seja, estase venosa. Portanto, em viagens com mais de quatro horas de duração, é necessário que o passageiro se movimente, andando ou movimentando as pernas e pés. Caso contrário, pode causar edema dos membros inferiores, queixas de dores nas pernas ao final da viagem, ou até mesmo evoluir para trombose venosa superficial ou profunda.

Dentro do avião, um passageiro com varizes ou outros fatores de risco prévios, deve procurar caminhar pelo corredor sempre que possível, movimentar os joelhos, a panturrilha, o tornozelo e ainda dedos dos pés. Ingerir bastante líquido, evitar roupas apertadas, utilizar meias compressivas (que auxiliam no tratamento e prevenção de varizes), e não sentar sobre as pernas ou cruzá-las são recomendações importantes. Antes de viajar, consulte um médico especialista em Angiologia ou Cirurgia Vascular para que possa orientar devidamente as medidas a serem adotadas.

Fonte: Dr. Breno Caiafa, Presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro.

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