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As 5 dietas dos famosos que você deve evitar

Redação, Endocrinologia
Publicado em 05/01/2018 - Atualizado em 21/06/2018



Comida vegana crua combate a obesidade? Suplementos nutricionais podem substituir uma refeição? Uma dieta de alimentos alcalinos melhora o pH do sangue?

Segundo a Associação Dietética Britânica (BDA, na sigla em inglês), a resposta às três perguntas acima é "não", apesar de essas premissas embasarem algumas das dietas mais populares da atualidade - popularidade que vem da difusão nas redes sociais e do endosso de celebridades.

Com base no que é divulgado na imprensa e na internet, a BDA elege anualmente cinco dietas que prometem saúde e emagrecimento, mas devem ser evitadas porque podem trazer justamente o contrário, segundo os especialistas da associação.

Veja quais são as escolhidas em 2017, por que elas são criticadas e o que dizem seus defensores:

1. Dieta crudívora

A dieta baseada em alimentos veganos e crus ganhou supostos adeptos como a atriz e empresária Gwyneth Paltrow e o cantor Sting prometendo a perda de peso e uma limpeza no organismo.

O cardápio crudívero incluiria alimentos que não foram modificados, enlatados, processados quimicamente ou aquecidos a mais de 48ºC. Defensores argumentam que o aquecimento destrói algumas enzimas naturais e alguns nutrientes dos alimentos.

Mas a BDA questiona os benefícios disso. "Uma dieta vegana bem planejada com suplementos necessários, como vitamina B12 e D, pode até ser saudável, mas não garante a perda de peso", diz comunicado da associação.

"Comidas veganas geralmente contêm as mesmas calorias das não veganas. (...) Embora alguns alimentos sejam benéficos quando consumidos crus, outros são mais nutritivos quando cozidos - como cenouras - e outros nem sequer podem ser comidos crus, como batatas. Não há motivo para acreditar que o alimento cru seja inerentemente melhor. (A dieta) pode não prejudicar seu corpo no curto prazo, mas fazê-lo a longo prazo caso não seja balanceada."

Além disso, por se tratar de uma dieta extremamente restritiva, ela é difícil de ser seguida e não é adequada para crianças ou mulheres grávidas, por exemplo.

E, para alguns especialistas, a evolução fez com que perdêssemos algumas enzimas para digerir certos alimentos crus. Sob essa interpretação, nosso corpo simplesmente não aguenta, no longo prazo, uma dieta sem comidas cozidas.

2. Dieta alcalina

Essa dieta se baseia na ideia de que consumir mais alimentos alcalinos - frutas como o limão, além de alho, batata, alguns legumes e cereais - e menos ácidos ajuda a mudar o pH (índice que mede acidez, alcalinidade ou neutralidade) do sangue e até mesmo tratar câncer e osteoporose.

No entanto, segundo a BDA, essa ideia parte de um falso entendimento sobre a fisiologia humana: o pH dos alimentos não impacta o pH do sangue.

"Nosso corpo é perfeitamente capaz de manter o sangue dentro de um espectro bem específico de pH (entre 7,35 e 7,45). Se ele não conseguir fazer isso, você ficará doente rapidamente e pode morrer se não for tratado. Dietas alimentares podem mudar o pH da urina, mas isso não está relacionado ao pH do sangue, que não é afetado pela alimentação", diz.

A conclusão da associação é de que a dieta alcalina pode resultar em perda de peso por favorecer a ingestão de mais vegetais e cortar alimentos processados - mas isso não tem nada a ver com a alcalinidade ou acidez da comida.

3. Dieta de suplementos nutricionais de Katie Price

A modelo e apresentadora britânica Katie Price tem promovido uma série de shakes desenvolvidos para substituir refeições, descritos como saborosos, com baixo índice de gordura e com nutrientes essenciais e apenas 185 calorias. Prometem perda de peso e tonificação muscular, mas sem explicar bem como isso ocorreria cientificamente.

A BDA torce o nariz para substitutos de refeições e supressores de apetite como esse - vistos pela associação mais como uma forma de ganhar dinheiro do que de promover a saúde.

"A perda rápida de peso (promovida por shakes) pode ser motivadora, mas é insustentável", diz a associação. "Supressores de apetite não são saudáveis, recomendáveis nem um modo sustentável de perder peso. (...) Produtos que substituem refeições funcionam pela restrição da ingestão de calorias e não precisam ser parte de um projeto saudável de perda de peso."

Para Sarah Coe, da Fundação Britânica de Nutrição (BNF, na sigla em inglês), "os substitutos de refeições podem ser úteis para pessoas que têm muito peso a perder, mas sempre devem ser usados sob supervisão de um profissional da saúde".

A empresa Katie Price Nutrition foi contactada pela BBC, mas não quis comentar.

4. Dieta de Pioppi

A dieta de Pioppi (nome de uma cidade italiana de população extremamente longeva) promove alguns princípios da dieta mediterrânea para perder peso e reduzir o risco de diabetes tipo 2, mas com algumas modificações - que não agradaram a BDA.

Seus criadores, Aseem Malhotra e Donal O'Neill, recomendam refeições com poucos carboidratos e mais gorduras, além da ingestão de frutas, verduras, peixes, azeite de oliva, álcool com moderação e a prática de exercício físico. Eles sugerem evitar carne vermelha, carboidratos e açúcar.

De fato, as recomendações a uma alimentação com frutas e vegetais abundantes, peixes e azeite de oliva estão em linha com diretrizes oficiais de dietas saudáveis. Mas a BDA ressalta que a dieta de Pioppi tem diferenças importantes em relação à mediterrânea.

"Os autores talvez sejam as únicas pessoas do planeta que viajaram à Itália e voltaram com uma dieta que exclui massas, arroz e pães - mas inclui coco -, talvez por eles defenderem uma agenda de baixa ingestão de carboidratos", diz a associação.

"É ridícula a ideia de que essa aldeia italiana deva ser associada a receitas como pizza à base de couve-flor, um substituto de arroz também feito de couve-flor ou qualquer coisa usando óleo de coco. (A dieta) também estimula as pessoas a passarem fome durante 24 horas em determinados momentos da semana. (...) A dieta mediterrânea tradicional é saudável, mas foi sabotada (pela dieta de Pioppi)."

Mas Malhotra, um dos autores da dieta de Pioppi, que é médico cardiologista e assessor do Fórum Britânico de Obesidade, defende que sua dieta "é uma avaliação independente, que combina os segredos de um dos povos mais saudáveis do mundo com as mais recentes investigações médicas, nutricionais e de exercícios para desmascarar muitos dos mitos das indústrias da perda de peso e da saúde".

Ele agrega que a dieta "recebeu o respaldo de diversos importantes médicos internacionais" e questiona "os vínculos financeiros e a influência de empresas alimentícias na BDA".

"Na minha opinião, não se pode confiar neles como fonte independente de assessoramento dietético", afirma Malhotra.

Em resposta, um porta-voz da BDA afirmou que "a análise que publicamos sempre se baseia em provas e não é afetada pelas relações que temos com produtores de alimentos".

5. Dieta cetogênica

Diversas celebridades foram associadas à dieta cetogênica, como a estrela de reality shows Kim Kardashian, o atleta Kobe Bryant e o ator Alec Baldwin.

A premissa é consumir poucos carboidratos (e estes provenientes de vegetais sem amido, de nozes e sementes), bastante gordura e proteínas com moderação.

O objetivo é levar o corpo a um estado de "cetose": diante da ausência de glicose dos carboidratos, ele queimaria gordura para produzir energia.

"O perigo é que alguns (defensores) dizem que a dieta pode prevenir diferentes tipos de câncer, o que simplesmente não é verdade", afirma a BDA.

"Uma dieta cetogênica cuidadosamente planejada por um especialista pode ser eficiente em tratar pessoas com epilepsia. Para a perda de peso, não há mágica. Essa dieta funciona como qualquer outra ao cortar calorias e remover alimentos que as pessoas tendem a comer demais. (...) (Mas) nunca é uma boa ideia restringir demais algum grupo alimentar (inclusive o de carboidratos), porque isso dificulta que se alcance uma dieta balanceada quanto a vitaminas, minerais e fibras."

A associação agrega que a dieta cetogênica pode até resultar na perda de peso no curto prazo, mas é de difícil sustentação e pode causar sensação de falta de energia, náusea, problemas de sono, desconforto digestivo e mau hálito, entre outros males.

Fonte: BBC Brasil

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