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Alergia ao Leite da Vaca: Como Alimentar o bebê?

Renata Pinotti, Nutricionista
Publicado em 13/12/2017 - Atualizado em 22/09/2018



A alergia ao leite de vaca (APLV) é uma reação do sistema de defesa do organismo às proteínas do leite. A pessoa predisposta geneticamente, ao ingerir alimentos com as proteínas do leite pode apresentar reações intestinais (sangue nas fezes, diarreia, vômito), na pele (placas vermelhas, descamação), respiratórias (dificuldade para respirar, chiado) ou sistêmicas (edema de glote, queda de pressão, de temperatura). Por ser desencadeada logo nos primeiros contatos com o alimento é mais comum em crianças. O tratamento da APLV é a dieta isenta de todos os alimentos que contêm proteínas do leite, mesmo em mínimas quantidades (leite, seus derivados e alimentos preparados com esses ingredientes).

APLV não é o mesmo que intolerância à lactose (IL). Entenda a diferença na matéria "Entenda a diferença entre alergia e intolerância alimentar"

A alimentação de um bebê com APLV deve seguir as mesmas recomendações preconizadas pelo Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria aos bebês não alérgicos: aleitamento materno exclusivo (AME) até o sexto mês de vida e complementar à alimentação até os 2 anos de idade.

Na suspeita ou confirmação de APLV os bebês amamentados deverão continuar recebendo leite materno (LM). Esse é o melhor alimento para o bebê, principalmente em casos de alergia, pois além dos nutrientes a mãe oferece os anticorpos que o bebê ainda não consegue produzir através do seu leite. Amamentar também proporciona o vínculo mãe-bebê e transmite segurança à criança pelo contato pele a pele e olho a olho. Desmamar um bebê é retirar dele e de sua mãe todos esses presentes. Existe uma sabedoria integral no ato de amamentar que precisa ser respeitada!

Se o bebê com APLV apresentou sintomas em AME a mãe precisará fazer a dieta. Ressalto que a alergia não é ao LM. A criança reage às proteínas do leite que a mãe consome e são veiculadas via seu leite. Apenas o alimento que a criança reage ou que possui relação com a história clínica deverá ser evitado. Não é necessário retirar todos os alimentos alergênicos por precaução - restrições despropositadas não são recomendadas. Essa prática, além de não ter nenhuma fundamentação científica, não é eficaz, pode acarretar carências nutricionais, levar a mãe a sentir medo de comer e de alimentar o bebê, o que irá desestabilizar a harmonia familiar e levar ao desmame. O acompanhamento com médico e nutricionista especializados na área são imprescindíveis nessa fase, principalmente para trazer clareza às famílias.

Em casos de bebês que já foram desmamados a fórmula infantil à base de leite de vaca poderá ser substituída por uma fórmula especializada para APLV.

A introdução da alimentação complementar deve ser iniciada aos seis meses e deve à base de alimentos in natura (frutas, hortaliças, cereais, grãos...) A única ressalva com relação à APLV é evitar a introdução concomitante de dois ou mais alimentos, pois se a criança apresentar alguma reação não será possível identificar o suspeito. É uma introdução mais lenta no início, apenas.

Não se recomenda desde 2008 adiar a introdução dos alimentos mais alergênicos. Ao contrário, hoje é sabido que oferecer os alimentos aos seis meses pode favorecer a tolerância e prevenir alergia.

Doces, flans, pudins, biscoitos recheados, alimentos ricos em açúcar e sal, industrializados em geral não são recomendados para nenhuma criança até os dois anos de idade. Portanto, os pais não precisam sentir pena ou ficar preocupados com a alimentação de bebês com APLV, pois eles serão privados dos alimentos que jamais deveriam receber nessa fase da vida.

Salvaguardada todas as dificuldades e preocupações reais das famílias, a alergia ao leite em bebês tem favorecido a construção de hábitos alimentares mais saudáveis para o bebê e sua família, aumentado o consumo de alimentos in natura e preparados em casa, reduzido o consumo de alimentos industrializados e refeições prontas, proporcionado mais momentos de refeições em família e evitado a escolarização precoce de crianças.    

Se olharmos por essa ótica, a APLV tem sido um fator protetor para crianças na primeira infância, por essa razão hoje eu não a chamo de alergia alimentar e sim alegria alimentar.

 

Renata Pinotti, Nutricionista do Hospital da criança e maternidade de São José do Rio Preto, Mestre em Nutrição Humana Aplicada pelo PRONUT-USP, Experiência de 15 anos na área de alergia alimentar, Autora do livro Guia do bebê e da criança com alergia ao leite de vaca.

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