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Sarcopenia: a doença que você deveria conhecer

Dr. Thiago Gonzalez Barbosa-Silva e Dra. M. Cristina Gonzalez, Mastologista e Gastroenterologista Especialista em Terapia Nutricional
Publicado em 24/11/2017 - Atualizado em 16/11/2018



Parece piada de mesa de bar, mas não é: o que um menino de 5 anos e um senhor de 90 anos têm em comum?

Para especialistas em composição corporal, a resposta não é nem um pouco engraçada.

Apesar da grande diferença de idade – e de peso - é bem provável que os dois possuam a mesma quantidade de músculo nas coxas, responsáveis por, por exemplo, sustentar nosso próprio peso e caminhar. Considerando que um idoso é bem mais pesado do que um jovem, é fácil perceber que a (pouca) musculatura dos idosos precisa trabalhar muito mais e entender porque os idosos caminham tão lentamente, certo?

A essa condição, dá-se o nome de sarcopenia. Ou, em termos científicos: “a perda de massa muscular associada à perda de funcionalidade da musculatura” – seja para fazer força, seja para desempenhar tarefas. A doença pode acometer diversos grupos de risco por motivos diferentes, já que, para perder musculatura, basta não se mexer o suficiente (como no caso de pacientes acamados); gastar músculo mais rápido (como em estados de aumento do metabolismo de consumo por doenças graves, como o câncer); ou não ingerir nutrientes específicos (proteína) em quantidade suficiente para manter a musculatura já existente. Porém, a forma mais comum de apresentação da doença nos remete justamente ao exemplo inicial desse texto: o envelhecimento.

Se você pensou: “mas eu estou muito longe dos 90 para começar a me preocupar com isso”, reconsidere! 

Atingimos nosso pico de massa muscular entre os 20 e os 40 anos, e, daí em diante, a perda é um processo fisiológico. Para homens, gradualmente; para mulheres, de maneira mais acentuada após a menopausa. E, acredite, nosso corpo sente sim (e muito!) falta dessa musculatura: indivíduos sarcopênicos têm maior tendência a quedas, fraturas ósseas e osteoporose. Além disso, tornam-se muito mais dependentes de ajuda para a realização de atividades simples do dia-a-dia, o que certamente piora sua qualidade de vida. Por fim, infelizmente, sabe-se que esses idosos possuem uma capacidade muito pior de recuperação de doenças, e, consequentemente, morrem mais cedo.

Com tantos problemas associados, poderia se esperar que a doença não fosse tão comum. Porém, infelizmente, é. Estudos realizados em centros urbanos brasileiros sugerem que até 15% dos idosos (considerados acima de 60 anos) já são sarcopênicos, e mais 10% já se encontram em situação de risco para a doença (um estado chamado pré-sarcopenia, onde a perda indevida de massa muscular já está presente, mas ainda não tem repercussões clínicas). Ou seja, um entre quatro idosos já deveria estar sob acompanhamento especializado.

Não adianta ficar se lamentando: essa perda é normal e acontece para todos, e o objetivo aqui não é assustar ninguém – mas, sim, conscientizar. O que, sim, pode ser feito, é tentar frear esse processo, tornando a adaptação do corpo mais gradual e menos impactante para o indivíduo. E é aí que entram os médicos, nutricionistas e educadores físicos. Com o diagnóstico precoce, a sarcopenia é mais fácil de ser manejada e, possivelmente, revertida ou pelo menos retardada, através da atividade física monitorada e da adequação (e, eventualmente, suplementação) da alimentação.

Para avaliar se você está sob risco de desenvolver a sarcopenia, existe um questionário de fácil aplicação, chamado SARC-F, que pode ajudar. Nele, avalia-se o grau de dificuldade na realização de atividades de vida diária, como subir um lance de escadas, caminhar, levantar-se de uma cadeira, carregar peso; e o número de quedas no último ano. Soma-se a isso uma nota dada à medida da circunferência da perna - já que uma panturrilha muito fininha pode indicar perda de musculatura - e, assim, define-se quem deveria estar sendo investigado para a doença.

Se você tem mais de 60 anos e, ao responder mentalmente essas perguntas, a sua consciência pesou, talvez você devesse conversar com seu médico a respeito do assunto. Lembre-se que o diagnóstico precoce é a base do tratamento da sarcopenia, e manter-se ativo e com uma alimentação saudável, a melhor maneira de prevenir seu aparecimento. E agora, na próxima ida ao supermercado, você já sabe o porquê das filas preferenciais em supermercados e das vagas reservadas em estacionamentos: as pernas dos idosos agradecem.

Autores: Dr. Thiago Gonzalez Barbosa-Silva - Mastologista; Dra. M. Cristina Gonzalez - Gastroenterologista e especialista em Terapia Nutricional pela BRASPEN, Sociedade de Nutrição Parenteral e Enteral.

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  1. Como divulgar essa doença para prevenção e tratamento? Sou obesa, diabética e tenho Fibromialgia. Estou com dores diferentes, tive muitas quedas e sou sedentária.

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