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Cuidados Integrativos e Câncer de Próstata

Dr. Plínio Cutait, Mestre de Reiki
Publicado em 09/11/2017 - Atualizado em 11/11/2017


O que são as abordagens integrativas?

São serviços que integram diferentes modalidades de tratamentos, convencionais e não convencionais, com o propósito de oferecer cuidado global e humanizado a pacientes, familiares e, muitas vezes, à equipe profissional que os acompanha. Nessas abordagens, o ato de curar a doença se associa ao ato de cuidar da pessoa em sua integralidade para promover bem-estar, qualidade de vida e equilíbrio global.

Existem muitas instituições de saúde que oferecem esses serviços?

No Brasil, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), projeto do Ministério da Saúde cujo objetivo é incorporar e implementar as práticas integrativas e complementares no SUS, revela que a presença delas vem crescendo notadamente nesse sistema de saúde pública. Ao redor do mundo, instituições importantes vêm aderindo a essas abordagens, entre elas o Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, o Dana-Farber Cancer Institute, Johns Hopkins, o M.D. Anderson Cancer Center e a European Federation for Complementary and Alternative Medicine, além de instituições brasileiras como o Hospital Sírio-Libanês, o Hospital São José e o Hospital Israelita Albert Einstein.

Que tipos de práticas existem?

Existem diferentes formas de agrupar essas práticas. Uma classificação possível foi criada pelo National Center for Complementary and Alternative Medicine (NCCAM), dos Estados Unidos.

Sistemas Médicos Integrais

Esses sistemas têm uma teoria e uma prática particulares, tendo se desenvolvido separadamente da nossa medicina ocidental convencional. Alguns são milenares (por exemplo, Ayurveda, Medicina Tradicional Chinesa, Medicina Tibetana) e outros se originaram nos últimos séculos (como Homeopatia, Medicina Antroposófica e Naturopatia).

Como podem contribuir: em geral, a filosofia desses sistemas está mais ligada à promoção de saúde do que à cura da doença, embora também atuem nesse sentido. Trazer a pessoa para seu estado original, saudável e equilibrado, tratando-a como um todo, é o propósito básico desses sistemas.

Práticas Biológicas

Ervas, suplementos, dietas, produtos naturais e complexos vitamínicos são exemplos de produtos e práticas que podem contribuir para a prevenção ou tratamento de diversas doenças. É importante saber que a ingestão de produtos ou substâncias biologicamente ativas deve ser sempre acompanhada por profissional competente na área.

Como podem contribuir: quando ingeridos de acordo com orientação adequada, esses produtos podem influenciar positivamente mecanismos associados à origem e ao crescimento do câncer, agindo, por exemplo, como antioxidantes, anti-inflamatórios ou antiangiogênicos.

Práticas Corporais ou Manipulativas

Essa categoria inclui métodos baseados na manipulação ou movimento do corpo, focando primariamente nas estruturas e sistemas corporais, incluindo ossos, articulações, partes moles e sistemas circulatório e linfático. Exemplos: Osteopatia, Quiropraxia, Massoterapia, Método Self-Healing Meir Schneider (autocura), Reflexologia, Rolfing, Terapia Craniossacral. Alguns métodos, como Técnica de Alexander, Pilates e Método Feldenkrais, são terapias de movimento que educam o indivíduo no cuidado com sua postura e movimentação.

Como podem contribuir: toda terapia que estimule a consciência corporal é útil para o paciente oncológico. A experiência da doença pode “afastá-lo” de sua identidade, de seu universo pessoal conhecido, de seus hábitos comuns. “Voltar para o corpo” pode significar voltar a fazer contato consigo mesmo, com as próprias forças. Além disso, a experiência do toque pode gerar relaxamento, bem-estar, analgesia e liberação de tensões e emoções negativas.

Práticas Energéticas

Essas práticas focam tanto em campos de energia originados no próprio corpo quanto naqueles provenientes de outras fontes. Algumas terapias tratam do equilíbrio da energia vital do organismo através de pressão ou manipulação pela imposição de mãos, enquanto outros métodos utilizam a transferência de energia para o paciente por meio de diferentes ferramentas. Exemplos: Acupuntura, Reiki, Jin Shin Jyutsu, Tai Chi Chuan, Johrei, Chi Kung, Toque Terapêutico, Mahikari, Do In, Cura Prânica.

Como podem contribuir: cuidar da energia não é um elemento da cultura ocidental. Essas práticas nos convidam a compreender a natureza da energia e como elainterfere na saúde e na doença. Em geral, quando nos aproximamos de um estado de equilíbrio energético global, atingimos relaxamento, bem-estar, apaziguamento e a sensação subjetiva de conexão consigo mesmo.

Práticas Mente-Corpo

Elas têm como foco as interações entre cérebro, mente, corpo e comportamento, bem como os meios pelos quais fatores emocionais, mentais, sociais, espirituais e comportamentais podem afetar a saúde. Exemplos: Yoga, Meditação, Técnicas de Respiração, Calatonia, Visualização Dirigida, Prece, Hipnose, Técnicas de Relaxamento, Musicoterapia, Arteterapia.

Como podem contribuir: essas práticas partem do princípio de que a mente afeta o corpo e, reciprocamente, o corpo afeta a mente. Diminuir a ansiedade, promover relaxamento, apaziguar a mente, melhorar o sono e o humor são fatores que contribuem significativamente para a redução de sintomas físicos ou do sofrimento causado por eles. Eventualmente, elas podem reduzir a necessidade de uso de medicamentos, diminuindo a toxicidade e os efeitos colaterais ocasionalmente associados a eles. Além disso, essas práticas podem estimular o contato com a espiritualidade do indivíduo.

Por que pacientes com câncer de próstata consideram incluir as abordagens integrativas em seus tratamentos?

Um estudo realizado com esses pacientes no Centro de Pesquisas de Câncer de Honolulu, Havaí, revela motivações e considerações que homens com câncer de próstata fazem ao escolher tratamentos convencionais e não convencionais.

– Conversando com outros homens com câncer de próstata, eles levantaram questões sobre qualidade de vida e quais tratamentos poderiam contribuir para ela.

– Participantes dessa pesquisa expressaram sua crença de que a medicina no Ocidente tende a focar no tratamento do tumor e desconsidera a importância do impacto do tratamento nos aspectos emocional, social e espiritual do bem-estar.

– Alguns participantes sentiram que o foco no aspecto físico da cura em vez de uma cura em seu sentido mais global leva os médicos a apressarem seus pacientes a tomar decisões sobre tratamento, gerando neles medo e ansiedade.

– Eles expressaram a crença de que, para um tratamento ser efetivo, ele precisa considerar as causas que estão por trás do câncer.

– Quatro princípios mais comuns inspiram a escolha desse grupo de pacientes por um tratamento integrativo: criar boas condições gerais para que o câncer não o ameace; fortalecer o sistema imune através de um estilo de vida saudável; ativar a mente e recursos internos para aprofundar a cura do câncer; e eliminar as fontes de estresse, compreendidas como fatores que contribuíram para o câncer.

– No caso de muitos pacientes, o diagnóstico de câncer de próstata serviu como uma catálise para que mudassem significativamente seu estilo de vida.

– Alguns homens viram o câncer como parte de sua jornada espiritual e procuraram significado na experiência da doença. Segundo eles, o câncer era como um “presente” que trouxe muitas bênçãos na vida ou um “professor” que aprofundou a compreensão sobre seu significado.

– Aqueles que tinham uma relação conjugal expressaram seu reconhecimento pelo grande apoio da companheira ao tomar decisões sobre o tratamento.

– Muitos participantes manifestaram como foi central o apoio do médico da família em sua recuperação. Eles valorizaram o fato de o médico tê-los incentivado a ter um papel ativo em seu processo de cura e os ajudado a avaliar a segurança e a eficácia das terapias integrativas, avaliando continuamente a doença e o tratamento.

– Um benefício significativo está ligado a sentir-se parte de um time, aprendendo estratégias de redução de estresse e fazendo mudanças de estilo de vida.

Em que fases do tratamento oncológico as abordagens integrativas podem estar presentes?

Na promoção de saúde, pois grande parte das chamadas técnicas integrativas são originalmente práticas de autocuidado com o objetivo de promover saúde integral e prevenir doenças. Não é necessário estar doente para praticá-las e obter seus benefícios. No diagnóstico, quando pode haver ansiedade, medo e estresse para o paciente e sua família, ao mesmo tempo em que há a necessidade de tomar decisões importantes. Ao longo do tratamento, durante o período em que pode haver internação, procedimentos cirúrgicos, quimioterapia e radioterapia, entre outros. Depois da alta médica, quando diminui a necessidade por tratamento médico e aumenta a necessidade de apoio multidisciplinar, que contempla o cuidado em seus aspectos físico, emocional, social e espiritual. Em cuidados paliativos, ou seja, quando não há a possibilidade de cura (no tratamento de sintomas crônicos persistentes ou quando a vida está chegando ao fim) e a intenção é cuidar do conforto, bem-estar e qualidade de vida do paciente. No luto, para familiares, geralmente associado ao apoio psicológico, e para equipe profissional.

Os tratamentos integrativos podem aliviar sintomas do câncer de próstata?

O alívio dos sintomas decorrentes da doença ou do tratamento do câncer de próstata (efeitos colaterais) precisa ser considerado em todas as suas dimensões, e não só no aspecto físico. Baseado no conceito de dor total, considera-se que o sofrimento de uma pessoa não se resume à dimensão física, mas também à emocional, psíquica, social e espiritual. Isso corresponde a um princípio presente nas tradições orientais, assim como nas abordagens integrativas: corpo, mente e espírito são inseparáveis. O conceito de dor total pode ser aplicado para qualquer sintoma, como incontinência urinária, impotência, diminuição de libido, ardência do reto ou das vias urinárias gerada pela radioterapia – exemplos frequentes no câncer de próstata, dependendo do estágio da doença e do tratamento a que o paciente está sendo submetido.

O cuidado com dimensões emocionais, psíquicas, sociais e espirituais pode aliviar os sintomas ou diminuir o impacto e o sofrimento que possam causar no indivíduo. Quando o paciente é avaliado segundo parâmetros gerais e subjetivos, como humor, qualidade do sono, psiquismo, vitalidade, conforto emocional, ânimo, ligação com a vida, entre outros, as práticas integrativas mostram resultados bastante satisfatórios.

O que é preciso considerar ao incluir as abordagens integrativas no tratamento convencional?

A decisão de incluir essas abordagens no tratamento oncológico é muito pessoal e pode ser considerada em conjunto por familiares e médicos. Estudos revelam que, entre pacientes que estão fazendo tratamentos integrativos, 46% afirmam que foi muito útil, 39% que foi útil de alguma maneira e 6% disseram que não foi útil. Para avaliar os benefícios do tratamento integrativo, é importante estar consciente de que nem sempre os resultados serão visíveis diretamente em aspectos físicos da cura do paciente, mas no cuidado com a pessoa em sua integralidade.

Pesquisas em diferentes países mostram que 40% a 70% dos pacientes com câncer não discutem com os médicos os tratamentos integrativos que estão fazendo. Por inúmeras razões, há o receio de que eles não aprovem ou mesmo reprovem a iniciativa. É importante o médico saber quais tratamentos integrativos estão sendo usados pelo paciente, sobretudo no caso de práticas biológicas (ervas, dietas, suplementos, vitaminas etc.). O uso de substâncias biologicamente ativas pode produzir efeitos indesejados, particularmente ao longo do tratamento quimioterápico.

Nem sempre existem evidências da eficácia dos tratamentos integrativos. No entanto, as práticas mente-corpo, energéticas e corporais ou manipulativas são consideradas de risco baixo e não invasivas, podendo ser úteis no controle de diversos sintomas, além de oferecer bem-estar e qualidade de vida. Em geral, o tratamento integrativo tem custo baixo. Calcula-se que as despesas relativas a ele  estejam em torno de 1% do valor do tratamento oncológico como um todo, ou seja, no primeiro ano, no cuidado continuado e no tratamento ao final da vida.

Muitas práticas integrativas utilizadas hoje nos meios da saúde são originalmente instrumentos de cuidado pessoal – e serão mais efetivas quando usadas para preservar a saúde e prevenir doenças. 

Fonte: MALUF, Fernando Cotait. Vencer o Câncer de Próstata. Sao Paulo: Dendrix, 2014.

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