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Imunoterapia no Tratamento do Cancer

Dr. Antônio Carlos Buzaid, Oncologia (clínico)
Publicado em 02/02/2017 - Atualizado em 10/12/2018



Para que serve o sistema imune?
O sistema imune consiste de células e orgãos do corpo que são desenhados para defender o corpo de seres agressores. Por exemplo, de células cancerosas e infecções.

O que é a imunoterapia?
É o tratamento que utiliza o sistema imune para atacar as células cancerosas. Ao contrário da quimioterapia e da radioterapia que atacam as células cancerosas diretamente, a imunoterapia precisa, em geral, ativar o sistema imune do próprio paciente para atacar as células cancerosas.

Quais tipos de imunoterapia existem?
Há varios tipos de imunoterapia. Pode-se pegar parte das células cancerosas e misturá-las com estimulantes do sistema imune para fazer o sistema imune do paciente localizar melhor as células cancerosas. Estes produtos são chamados de vacinas. Pode se dar substâncias que aumentam o número de células imunes e que também as ativa, como por exemplo a interleucina-2.

Mais recentemente foram desenvolvidas substâncias que tiram os freios do sistema imune. Em 1995 foi descoberto que o sistema imune tinha freios. Isto ocorre para evitar que ele fique ativo em excesso, evitando assim que ele ataque as células normais do próprio corpo. Estas substâncias que freiam o sistema imune são chamadas de inibidores de checkpoint. O primeiro a ser desenvolvido se chama ipilimumabe que funciona fazendo com que o soldado mais importante do sistema imune, o chamado linfocito T CD8 positivo, pare de atacar o cancer. Isto é, o linfocito T que iria normalmente dormir após 2 dias de ataques, continua então ativo por muito mais tempo.
Os outros inibidores de checkpoint que temos no Brasil são os antiPD1s. Há dois antiPD1s aprovados no Brasil: o nivolumabe e o pembrolizumabe. Elas funcionam de modo semelhante. Um dos mecanismos (há vários) pelos quais as células cancerosas se defendem do ataque dos linfocitos T é pela produção de uma substância chamada PDL1 que se liga ao receptor chamado PD1 do linfócito T e o paralisa. O anticorpo antiPD1 evita que o PDL1 da celula cancerosa se ligue no linfocito T o qual continua ativo e aí mata a célula cancerosa.

     

Para quais tipos de cânceres os inibidores de checkpoint estão aprovados no Brasil?
O ipilimumabe está aprovado somente para o melanoma metastático. O nivolumabe está aprovado para o melanoma metastático, câncer de pulmão após falha a quimioterapia e para câncer de rim metastático, após falha da primeira linha de tratamento. O pembrolizumab está aprovado para o melanoma metástatico e deve ser aprovado para a primeira linha do câncer de pulmão em futuro proximo.

Quais os efeitos colaterais mais comuns dos inibidores de checkpoint?
Como o freio dos sistema imune é removido, os linfócitos T começam a atacar as células normais do próprio corpo do paciente. Por exemplo, quando as células do forro do intestino são atacadas, resulta em diarréia; já quando a pele é atacada, produz uma erupção cutânea; quando as glândulas endócrinas como tireóide e hipófise são atacadas resulta no enfraquecimento destas glândulas (hipotireodismo e insuficiencia pituitária); quando o ataque acontece no pulmão, gera um inflamação que chamamos de pneumonite. Teoricamente, o sistema pode atacar qualquer orgão do corpo.

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