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As doenças mais comuns do couro cabeludo

Dra. Natalie Haddad, Dermatologia
Publicado em 01/09/2019 - Atualizado em 23/10/2019



O couro cabeludo é uma extensão da pele e, assim como qualquer outra parte do corpo, pode ser atingido por várias doenças, as quais existem tratamentos específicos que devem ser prescritos por dermatologistas. Algumas dessas patologias tem origem genética, outras desencadeadas por fatores externos. Algumas podem ser curadas, outras apenas controladas. Muitas vezes os pacientes não dão a devida importância aos sintomas, o que pode agravar o problema e até causar a perda definitiva dos fios.

Confira abaixo as cinco doenças capilares mais comuns, seus sintomas e tratamentos:

DERMATITE SEBORREICA

O que é: Uma das principais doenças do couro cabeludo é a dermatite seborreica, mais conhecida como "caspa". Consiste em oleosidade excessiva (seborreia), associada à inflamação e descamação. A doença pode acontecer em diversos níveis de gravidade. É uma doença de caráter crônico, com períodos de melhora e piora dos sintomas.

Causa: A causa não é totalmente conhecida, e a inflamação pode ter origem genética ou ser desencadeada por agentes externos, como fungos, banhos muitos quentes, estresse emocional, álcool, medicamentos e excesso de oleosidade.

Sintomas: De forma geral, os sintomas da dermatite seborreica são: oleosidade na pele e no couro cabeludo; escamas brancas que descamam – caspa; escamas amareladas que são oleosas e ardem; coceira, que pode piorar caso a área seja infectada pelo ato de “cutucar” a pele; leve vermelhidão na área; possível perda de cabelo.

Tratamento: O tratamento é feito com shampoos e loções com ação anti-inflamatória, antifúngica, além de controlar a descamação e oleosidade. A frequência correta de lavagem também e fundamental para o sucesso do tratamento. A seborreia não tratada pode potencializar outros problemas, como a alopécia androgenética. Após o tratamento, o uso do shampoo específico antioleosidade é indicado uma vez por semana, como manutenção.

ALOPECIA ANDROGENÉTICA (CALVÍCIE)

O que é: Alopecia androgenética, ou calvície, é uma forma de queda de cabelos geneticamente determinada. É relativamente frequente na população. Homens e mulheres podem ser acometidos pelo problema, que apesar de se iniciar na adolescência, só é aparente após algum tempo, por volta dos 30 ou 40. Apesar do termo “andro” se referir ao hormônio masculino, na maioria das vezes os níveis hormonais se mostram normais nos exames de sangue. A doença se desenvolve desde a adolescência, quando o estímulo hormonal aparece e faz com que, em cada ciclo do cabelo, os fios venham progressivamente mais finos.

Sintomas: A queixa mais frequente na alopecia androgenética é a de afinamento dos fios. Os cabelos ficam ralos e, progressivamente, o couro cabeludo mais aberto. Nas mulheres, a região central é mais acometida. Nos homens, as áreas mais abertas são a coroa e a região frontal (entradas).

Tratamento: O tratamento baseia-se em estimulantes do crescimento dos fios como o minoxidil e em bloqueadores hormonais. O objetivo do tratamento é estacionar o processo e recuperar parte da perda. Medicamentos via oral, locoes capilares, lasers e tratamentos em consultorio sao algumas das opcões de tratamento. Quanto mais precoce o tratamento, melhores os resultados. Nos casos mais extensos, um transplante capilar pode melhorar o aspecto estético.

ALOPECIA AREATA

O que é: Alopecia areata é uma doença inflamatória que provoca a queda de cabelo.

Causas: Diversos fatores estão envolvidos no seu desenvolvimento, como a genética e a participação autoimune.

Sintomas: Os fios começam a cair resultando mais frequentemente em falhas circulares sem pelos ou cabelos. A extensão dessa perda varia, sendo que, em alguns casos, poucas regiões são afetadas. Em outros, a perda de cabelo pode ser maior. Há casos raros de alopecia areata total, nos quais o paciente perde todo o cabelo da cabeça; ou alopecia areata universal, na qual caem os pelos de todo o corpo. A alopecia areata não é contagiosa. Fatores emocionais, traumas físicos e quadros infecciosos podem desencadear ou agravar o quadro. A evolução da alopecia areata não é previsível.  O cabelo sempre pode crescer novamente, mesmo que haja perda total. Isto ocorre porque a doença não destrói os folículos pilosos, apenas os mantêm inativos pela inflamação. Entretanto, novos surtos podem ocorrer. Cada caso é único. Estudos sugerem que cerca de  5% dos pacientes perdem todos os pelos do corpo.

No local da queda, a pele é lisa e brilhante e os pelos ao redor da placa saem facilmente se forem puxados. Os cabelos, quando renascem, podem ser brancos, adquirindo posteriormente sua coloração normal. A forma mais comum é uma placa única, arredondada, que ocorre geralmente no couro cabeludo e barba, conhecida popularmente como pelada.

Tratamento: Diversos tratamentos estão disponíveis para a alopecia areata. Medicamentos tópicos como minoxidil, corticoides podem ser associados a tratamentos mais agressivos como sensibilizantes (antralina e difenciprona) ou metotrexate. Corticóides injetávies podem ser usados em áreas bem delimitadas do couro cabeludo ou do corpo. A opção deve ser realizada pelo dermatologista em conjunto com o paciente. Os tratamentos visam controlar a doença, reduzir as falhas e evitar que novas surjam. Eles estimulam o folículo a produzir cabelo novamente, e precisam continuar até que a doença desapareça. Atenção: Evitar a “automedicação”. Somente um médico dermatologista pode prescrever a opção mais adequada.

EFLÚVIO TELÓGENO

O que é: É uma condição que se caracteriza pelo aumento da queda diária de fios de cabelo. Seu aumento é visto principalmente naquele bolo que cai no chuveiro ou fica na escova quando penteamos.

Causas: Sua causa está associada a algum evento que aconteceu três meses antes do início da queda. Isso porque o período de preparo para a queda dura de dois a três meses e os fios se desprendem ao final desse ciclo. Esses eventos, ou gatilhos, convertem um percentual maior de fios para a fase de queda. Sendo assim, ao invés de termos 100-120 fios caindo diariamente, temos 200-300 fios, dependendo do paciente e da causa do eflúvio.  As principais causas desse tipo de queda são: pós-parto, febre, gripe, dietas muito restritivas, doenças metabólicas ou infecciosas, cirurgias, especialmente a bariátrica, por conta da perda de sangue e do estresse metabólico, além do estresse. Algumas medicações também podem desencadear o problema.

Sintomas: O principal sintoma é a queda aguda do cabelo, com aumento dos fios que caem dia a dia. Coceira no couro cabeludo, principalmente na região posterior, pode estar presente em alguns casos.

Tratamento: O eflúvio é autolimitado, ou seja, tem uma duração predeterminada de dois a quatro meses, caso não haja outra doença associada. E, de um dia para o outro, há uma aparente melhora. Na teoria, não seria preciso tratamento. Porém, se o paciente tem alguma condição associada, como alopecia androgenética (calvície) ou a alopecia senil (rarefação que surge após os 60 anos), em geral, costuma-se tratá-lo para que possa ter plena capacidade de recuperar o volume e o comprimento dos fios. Algumas medicações, que são estimuladoras do crescimento capilar, podem ser associadas para acelerar esse processo de recuperação.  Se o paciente for saudável, e sem doença prévia do couro cabeludo, terá plena capacidade de recuperação. O prognóstico em geral é bom, mas é sempre indicado que a pessoa procure um dermatologista para conhecer melhor seu caso, e se há a necessidade de tratar alguma possível doença de base associada. Ou, ainda, se é preciso descobrir algum fator que possa estar associado à queda, como na área alimentar, seja por uma deficiência de ferro ou vitaminas, ou em razão de dietas hiperproteicas, as quais temos visto mais pessoas aderindo a cada dia. O paciente precisa ser bem orientado para saber o que faz bem para seu metabolismo e ciclo capilar.

FOLICULITE

O que é: Não menos frequente, a foliculite é a inflamação de um ou mais folículos no couro cabeludo.

Causas: É causada por uma infecção, geralmente, bacteriana.

Sintomas: O couro cabeludo fica avermelhado, inflamado, e pode apresentar "bolinhas de pus", como espinhas.

Tratamento: Na foliculite, dependendo do estágio que se encontra (mais ou menos avançada) são prescritas loções tópicas de antibióticos, e, ácido salicílico também pode ser utilizado. Antibióticos via orais são indicados em quadros mais extensos, mais avançados.

A importância de examinar e diagnosticar é que para cada causa existe um tratamento específico!

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