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Câncer de pele pode esperar o fim da Covid-19?

Dra. Ana Maria Fagundes Sortino, Dermatologia
Publicado em 01/06/2020 - Atualizado em 05/07/2020



Há quase três meses, a pandemia do vírus SARS-COV-2, também conhecido como COVID-19, mudou nossa rotina. O distanciamento social, as medidas de higiene, limpeza e o uso de máscaras foram incorporados ao nosso dia-a-dia. Ao seguirmos essas orientações, valorizamos não só o nosso bem-estar e saúde, mas também os da nossa família e das pessoas com quem precisamos interagir em locais públicos, como supermercados e farmácias.

Os cuidados de prevenção nos dão segurança emocional e proteção real contra essa doença infecciosa tão crítica. Enquanto houver perigo, é fundamental não relaxarmos nesses hábitos de resguardo adquiridos.

Ao longo das últimas duas décadas, fatores de risco para os cânceres da pele e as medidas para evitá-los são abordados e divulgados na mídia com frequência.  Ainda assim, será que todos nós estamos alertas?

Quero aproveitar este difícil momento atual para refletirmos juntos sobre os cânceres cutâneos.

São três os principais tipos de cânceres da pele: carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma, esses dois últimos, quando detectados tardiamente, podem se espalhar por outros órgãos do corpo e levar à morte. Importante ressaltar que qualquer tumor da pele é de bom prognóstico, quando detectado nos estágios iniciais. Os danos são minimizados e podem até mesmo ser evitados, se houver prevenção e identificação precoce dos tumores.

Sendo assim, como você se sentiria se por algum motivo negligenciasse um sinal suspeito na sua pele e tivesse, como consequência disso, um diagnóstico tardio de câncer?

Os sinais de alerta para detecção dos cânceres da pele precisam estar sempre presentes nas nossas mentes e, quando notados, devem ser imediatamente considerados. Principalmente se for uma pinta/bolinha/verruga de crescimento rápido, que mudou de cor, apresente sangramento e/ou coceira. Nesses casos, marque imediatamente uma consulta com o seu dermatologista.

Os consultórios médicos, em sua grande maioria, estão abertos para atendimento; e devem seguir rígidos protocolos de higiene e conduta para mitigar os riscos de infeção pelo coronavírus. Em razão da pandemia, também foi autorizada a realização de uma triagem inicial por meio de teleconsulta. Entretanto, muitas vezes será necessário fazer uma avaliação presencial para afastar o diagnóstico de um tumor cutâneo maligno.

Ocorre que apenas na consulta presencial é possível fazer o exame clínico de toda a pele e seus anexos. Quando preciso, o dermatologista também pode utilizar exames de imagem não invasivos, como a dermatoscopia e a microscopia confocal, para o auxílio no diagnóstico e avaliação da eventual necessidade de uma biópsia, ou tratamento cirúrgico. 

Segundo as recomendações oficiais, consultas, exames e procedimentos cirúrgicos eletivos (sem risco de agravamento durante a espera) devem ser adiados. As exceções à regra são casos que, embora não-urgentes, possam causar dano ao paciente com a demora na sua solução. Os cânceres da pele se enquadram nessa categoria.

Como são de variados tipos e graus de malignidade, o manejo e o tempo de espera para a abordagem cirúrgica variam de caso a caso. Algumas situações permitem aguardar um período que vai de três a seis meses entre o diagnóstico inicial e a realização do tratamento cirúrgico definitivo. Em outros casos, pode ser necessária uma biópsia imediata, quando há suspeita de tumores cutâneos mais raros ou agressivos, como os melanomas, o carcinoma de Merkel, o carcinoma sebáceo e o dermatofibrosarcoma protuberans. Após confirmados esses diagnósticos, o estadiamento patológico do tumor (determinação de sua extensão, gravidade etc.) irá definir o subsequente tratamento cirúrgico ou sistêmico.  

Fique sempre atento à sua pele. Ao menos uma vez por mês, faça o autoexame de todo o corpo, couro cabeludo, unhas, plantas dos pés e partes íntimas. Ao notar algo novo ou diferente procure imediatamente um dermatologista.

O seu engajamento é uma das principais formas de identificarmos precocemente esses tumores.

A prevenção e o diagnóstico dos cânceres malignos da pele não podem esperar!

Autora: Dra. Ana Maria Sortino – CRM-SP 91087, Médica Dermatologista, com mestrado em Oncologia Cutânea.

Referências Bibliográficas:

  1. Lushniak BD. When Prevention Works, Nothing Happens [published online ahead of print, 2019 Oct 2]. JAMA Dermatol. 2019;10.1001/jamadermatol.2019.2680.

  2. Gomolin T, Cline A, Handler MZ. The danger of neglecting melanoma during the COVID-19 pandemic [published online ahead of print, 2020 May 13]. J Dermatolog Treat. 2020;1-2.

  3. Der Sarkissian SA, Kim L, Veness M, Yiasemides E, Sebaratnam DF. Recommendations on dermatologic surgery during the COVID-19 pandemic [published online ahead of print, 2020 Apr 10]. J Am Acad Dermatol. 2020;S0190-9622(20)30610-1.

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Comentários
  1. Absolutamente didático e ilustrativo o texto indica exata direção na prevenção dos cânceres de pele. Parabéns a Doutora Ana Maria Sortino que ao informar e tornar público a informação, presta grande serviço na área da medicina. Assim procede o bom médico com responsabilidade social que lhe é atribuída Obrigado e Parabéns Doutora Ana Maria Sortino!!!!!

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