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Exercício é remédio - Mas qual é a dose certa?

Dra. Luciana Janot, Cardiologia
Publicado em 27/09/2017 - Atualizado em 23/09/2019



Exercício é remédio – Qual deve ser a sua dose para a obtenção de saúde?

O exercício físico tem sido preconizado como remédio pela American College of Sports Medicine por meio da campanha “Exercise is Medicine”.  Na verdade, com tantos benefícios que ele pode ocasionar desde a melhor disposição para execução das tarefas diárias, redução de fatores de risco para doenças cardiovasculares, como hipertensão, obesidade e dislipidemia até com benefícios comprovados no humor, podemos considerá-lo uma polipílula.

Mao que se entende por atividade física?

Podemos considerar atividade física, por definição, qualquer movimento corporal produzido pela musculatura e que tenha como resultado o gasto energético, como caminhar, lavar louça e subir escadas.

Qual a dose recomendada para obtenção dos inúmeros benefícios causados pela atividade física?

O American College of Sports Medicine e a American Heart Association, entidades especializadas em saúde do coração e medicina esportiva, recomendam a prática de atividade física aeróbica de moderada intensidade (caminhada, andar de bicicleta, nadar) por no mínimo 30 minutos, cinco vezes por semana, ou atividade aeróbica de maior intensidade (corrida, jogar tênis) por 20 minutos, três vezes por semana. Esses exercícios devem ainda ser complementados por exercícios que mantenham ou aumentem a força muscular duas vezes por semana.

Parece muito, não é? Mas essas atividades não precisam ser executadas de forma continua. Se você realizá-las em blocos de 10 minutos também serão válidas para que não seja considerado sedentário e para que obtenha benefícios.

Outras estratégias úteis são aquelas capazes de tornar o seu dia a dia mais ativo. Vários estudos demonstraram que o tempo que permanecemos sentados, independente de sermos pessoas ativas, também é prejudicial e relacionado a doenças como diabetes e hipertensão arterial. Medidas simples como usar mais as escadas no lugar do elevador ou das escadas rolantes, utilizar menos o carro para pequenas distâncias  e até mesmo levantar-se por alguns minutos a cada hora sentada já podem ser contabilizadas a seu favor.

Com todos esses benefícios e conhecimento por que é tão difícil sair do sedentarismo?

O sedentarismo está presente entre 45,9% da população brasileira, segundo o ministério do esporte, em pesquisa realizada no ano de 2013, com mais de 8.000 participantes. Isso representa 67 milhões de pessoas. E o que mais impressiona é que a grande maioria que não pratica tem consciência dos riscos da vida sedentária. Apenas 16.9% não sabem dos riscos. Os motivos para não realização variam desde a falta de tempo até o simples fato de não gostar.

Mas por que isso acontece? Quando falamos de atividade física estamos falando de comportamento. Mudar comportamento e hábitos envolve além do  conhecimento. É preciso estar disposto para a realização das mudanças.

Esses dados não devem ser motivo para desistirmos. Para que as mudanças possam acontecer devemos ser persistentes e iniciá-las com metas possíveis de serem alcançadas.

Aos médicos cabem medidas simples, como a abordagem a cada consulta e a prescrição do exercício em receituário, conscientizando o seu paciente de que o exercício deve ser encarado como um tratamento.

Aos indivíduos cabe a conscientização de que pequenas mudanças no dia a dia podem determinar a saúde que se pretende estar com o passar dos anos: várias pílulas para tratar doenças ou uma polipílula capaz de evitá-las! 

 

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