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Pílula anticoncepcional faz mal? Conheça os riscos

Dr. Breno Caiafa e Dr. Marcos Arêas, Cirurgia Vascular
Publicado em 31/01/2018 - Atualizado em 31/03/2020



Surgida na década de 60, a pílula anticoncepcional revolucionou a liberdade sexual feminina. Mas apesar dos benefícios da invenção, é bom lembrar que seu uso deve ser orientado por médicos e que a mulher deve ficar atenta aos sinais do corpo. O uso do anticoncepcional, especialmente as que contém estrógenos em sua composição, são um fator de risco conhecido para o desenvolvimento de doenças vasculares. A pílula é um fato de risco em particular para as varizes de membros inferiores e a trombose venosa profunda (TVP). Nos últimos dados divulgados pelas Nações Unidas, a pílula anticoncepcional está no primeiro lugar da lista para mulheres entre 15 e 49 anos no Brasil, dentre todos os métodos contraceptivos. Para se ter uma ideia, enquanto 34,2% das mulheres utilizam a pílula, apenas 2% usam o DIU, e 4,2% recorrem a laqueadura.

Um dos problemas mais frequentemente associados aos anticoncepcionais orais é o surgimento de sinais como dor, sensação de peso e inchaço de membros inferiores em mulheres portadoras de varizes, ou mesmo o surgimento destes sintomas nas saudáveis. O aparecimento das varizes está relacionado aos tipos e doses de estrógenos e progestógenos contidos nas pílulas, que provocam alterações na elasticidade, permeabilidade e na composição do conteúdo de elastina e colágeno das veias de pequenos, médios  e grandes calibres. Outro problema é o aumento da incidência de trombose venosa profunda (TVP) de membros inferiores. O uso de anticoncepcionais contendo estrógenos pode aumentar em até seis vezes o risco de desenvolvimento de TVP nas mulheres. Esse risco varia de acordo com a dosagem e o tipo de hormônio, especialmente os estrógenos, utilizados na composição do remédio utilizado.

O tabagismo, índice de massa corpórea (IMC) alto e a idade superior a 35 anos são fatores de risco associados ao aumento da trombose venosa profunda nas mulheres que fazem uso da pílula. Algumas características pessoais podem contraindicar ou, pelo menos, orientar qual tipo de anticoncepcional deve ser usado por cada mulher. Isto deve ser orientado por um médico ginecologista, que avaliará os riscos e os benefícios do uso do medicamento. Fazer a análise do histórico da paciente é importante para buscar possíveis trombofilias hereditárias ou adquiridas, que podem se manifestar logo após o início do anticoncepcional (especialmente nas primeiras semanas). A trombofilia é uma doença em que as pessoas são propícias a formarem trombos e possui uma caraterística hereditária. Mulheres que têm familiares com a doença devem ser investigadas com a pesquisa sanguínea dos anticorpos específicos.  

O ginecologista orienta quanto ao uso do anticoncepcional, e o angiologista ou cirurgião vascular podem ajudar a identificar pacientes com mais fatores de risco vascular para TVP, orientando e tratando das doenças vasculares associadas. Ou seja, a sinergia das duas especialidades é fundamental nesse tema. O que deve ficar bem claro é que, na imensa maioria dos casos, os anticoncepcionais trazem muito mais benefícios do que malefícios as suas usuárias, desde que sejam prescritos por especialistas qualificados e seu uso seja acompanhado regularmente pelo médico. A melhor forma de prevenir as possíveis complicações vasculares consequentes é buscar orientação com médicos especialistas. Manter um estilo de vida saudável com a abolição do tabagismo, alimentação equilibrada e com prática de exercícios físicos regulares e supervisionados (eventualmente com o uso de meias elásticas de compressão graduada), fazem a diferença no cuidado e acompanhamento no uso do método contraceptivo.

Fontes: Breno Caiafa, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro, e Marcos Arêas, membro da SBACV-RJ.

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